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Coletivo Raízes Vivas promove ações de valorização da cultura afro-brasileira em Ji-Paraná

Publicado: Segunda, 26 de Outubro de 2026, 10h29 | Última atualização em Segunda, 26 de Outubro de 2026, 14h28 | Acessos: 16081

Atividades realizadas no IFRO e na Escola Municipal Jandinei Cella envolveram estudantes e comunidade em oficinas, rodas de conversa, cine-debate, poesia e culinária

raizes vivas jipa 1 A valorização da cultura afro-brasileira ganhou espaço em diferentes ambientes educacionais de Ji-Paraná (RO) por meio das ações do Coletivo Raízes Vivas, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Rondônia (IFRO), Campus Ji-Paraná. Entre setembro de 2025 e maio de 2026, o coletivo promoveu oficinas, rodas de conversa, cine-debate, atividades literárias e ações culturais voltadas à valorização da diversidade étnico-racial e à reflexão sobre as contribuições da população afro-brasileira para a formação da sociedade.

Ao longo do projeto, o Coletivo Raízes Vivas desenvolveu oficinas de tranças Nagô, culinária afro-brasileira, contação de histórias, além de varal de poesias, cine-debate e roda de conversa sobre o livro Torto Arado, de Itamar Vieira Junior.

As atividades reuniram a comunidade acadêmica do Campus Ji-Paraná e também chegaram à Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental I Jandinei Cella, onde estudantes do 3º ano do Ensino Fundamental participaram de uma oficina de contação de histórias.

A diversidade de atividades permitiu abordar a temática afro-brasileira a partir de diferentes linguagens, como literatura, oralidade, gastronomia e manifestações culturais. A proposta foi estimular o reconhecimento e a valorização da cultura afro-brasileira, além de promover reflexões sobre a diversidade étnico-racial e a desigualdade social e racial no Brasil.

De acordo com a assistente social e tutora do Coletivo Raízes Vivas, Elaine Lucio Loeblin, o grupo tem se apresentado como um “espaço de construção de vínculos saudáveis, acolhimento, pertencimento e debate de temas como racismo, ancestralidade, processos históricos de desigualdade no acesso à terra, aos recursos naturais, ao território, aos direitos sociais e valorização cultural”. 

Conexão e pertencimento

A egressa do IFRO no curso Técnico em Informática Integrado ao Ensino Médio, Anna Clara Oliveira Andrade, contou sobre a relação observada entre a tradição das tranças Nagô e o feminismo.

“Eu participei da oficina de tranças do Coletivo Raízes Vivas e confesso que tentei aprender a fazer, o que foi um desafio super divertido. Vivenciar aquele espaço me fez ver de perto como o feminismo e a força das tranças se conectam, o ato de trançar e trocar saberes exige tempo, escuta, cuidado coletivo e paciência, transformando a sororidade em uma prática real que tece redes de apoio inquebrantáveis.”

Também egressa do curso de Informática, Leisaluz da Silva Assumpção, chegou a participar de algumas atividades promovidas pelo Coletivo. Ela disse que foi uma experiência muito importante, “porque me permitiu conhecer melhor a ancestralidade afro-brasileira e perceber como essa cultura está presente no nosso dia a dia. Durante as atividades, aprendi sobre as tranças e sobre como elas eram utilizadas até para indicar rotas de fuga. Isso me fez perceber que elementos presentes no nosso cotidiano carregam histórias e significados muito importantes.” 

Ela também destacou a oficina de culinária afro-brasileira, onde as participantes aprenderam a receita da canjica doce, também conhecida como mungunzá. “Uma das atividades que mais me marcou foi a oficina de culinária afro-brasileira de canjica doce. Enquanto preparávamos o alimento, aprendemos sobre a importância do milho para os nossos antepassados e para a cultura. Foi especial perceber que algo tão presente no nosso cotidiano pode carregar uma história tão grande. O Coletivo Raízes Vivas me proporcionou um contato mais pessoal com essa ancestralidade. Foi um momento em que senti que estava vivendo a cultura afrodescendente, não apenas aprendendo sobre ela”, lembrou.

A estudante Vanessa Mikaelly Silveiro da Silva atuou como bolsista do coletivo. Ela afirmou que participar do Raízes Vivas foi uma das experiências mais marcantes de sua trajetória no IFRO. 

“Como mulher negra, ver e viver cada ação promovida por nós foi profundamente emocionante e representativo, me senti acolhida e representada em cada momento, e fui muito feliz fazendo parte disso. Olhando para trás, percebo o quanto essa vivência transformou meu percurso acadêmico e pessoal, conseguindo realizar esse trabalho em grande estilo na graduação e deixando uma marca linda de união, afeto e valorização da nossa cultura para toda a comunidade acadêmica”, compartilhou Vanessa que, além de aluna do curso Superior de Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas, também é egressa do curso Técnico em Informática Integrado ao Ensino Médio.

O discente do curso Técnico em Florestas, Maurício Finco Gottardo, exaltou o trabalho das integrantes do Coletivo Raízes Vivas.

“Gostei muito de participar da oficina de tranças oferecida pelo coletivo. Um trabalho que nós sabemos que não é fácil, pois demanda esforço e concentração para um bom resultado, mas elas conseguiram administrar isso muito bem, fazendo tranças incríveis nos alunos do IFRO. E atividades como essa são muito importantes para a união das pessoas, pois estão juntas se doando para sair um trabalho bem feito e impecável. Amei ter presenciado essas mulheres maravilhosas.”

Formação cidadã e diversidade

As atividades do Coletivo Raízes Vivas foram realizadas com apoio do Edital nº 147/REITORIA/IFRO, de fomento aos coletivos estudantis, iniciativa coordenada pelo Departamento de Educação Inclusiva e Diversidade (DEID), vinculado à Pró-Reitoria de Ensino (Proen).

O edital visa ao fortalecimento de ações extracurriculares relacionadas à inclusão, diversidade, combate ao discurso de ódio e promoção da cultura de paz. As ações têm como finalidade promover espaços de diálogo e fortalecer o compromisso do IFRO com a formação cidadã e a valorização da diversidade.

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