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Curso de Cosmovisão Afro-Brasileira é concluído com certificação de cursistas no IFRO Campus Ji-Paraná

Publicado: Segunda, 26 de Outubro de 2026, 10h29 | Última atualização em Sexta, 17 de Julho de 2026, 16h13 | Acessos: 16062

Cosmovisão JiParaná 15O Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Rondônia (IFRO), Campus Ji-Paraná, concluiu, no último dia 3 de julho, o Curso de Formação Inicial e Continuada (FIC) “Cosmovisão Afro-Brasileira: Ancestralidade, Resistência e Diálogos”, iniciativa voltada à promoção da educação para as relações étnico-raciais, ao enfrentamento do racismo religioso e à valorização dos saberes e das tradições afro-brasileiras. O curso foi aprovado por meio da Portaria nº 4818/Ji-Paraná/IFRO, com carga horária de 60 horas.

A formação foi desenvolvida com base em estudos realizados no próprio Campus Ji-Paraná, onde foi identificada a persistência de preconceitos e desinformação sobre as religiões de matriz africana entre estudantes. A partir desse diagnóstico, o curso foi concebido como uma ação educativa de intervenção, buscando ampliar conhecimentos, desconstruir estereótipos e fortalecer uma cultura institucional pautada no respeito à diversidade religiosa e cultural. Ao longo da formação, os participantes aprofundaram conhecimentos sobre a história das religiões de matriz africana, as cosmologias do Candomblé e da Umbanda, a diáspora africana, o sincretismo religioso, o racismo religioso, a resistência dos povos negros e a contribuição dessas tradições para a formação da identidade brasileira.

O percurso formativo também contemplou oficinas práticas, rodas de conversa, atividades no Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) e debates sobre os desafios contemporâneos relacionados à intolerância religiosa e à promoção da igualdade racial. A proposta pedagógica esteve fundamentada em referenciais da educação antirracista, das epistemologias negras e dos estudos decoloniais, compreendendo a religiosidade afro-brasileira como patrimônio cultural e importante espaço de produção de conhecimentos, fortalecimento identitário e resistência histórica.

O curso buscou contribuir para a implementação da Lei nº 10.639/2003, que estabelece a obrigatoriedade do ensino da História e Cultura Afro-Brasileira e Africana na educação brasileira.

Segundo a Coordenadora do curso e Chefe do Departamento de Educação Inclusiva e Diversidade (DEID/Proen/IFRO), Mônica Apolinário, "a conclusão deste curso representa um importante passo na promoção de uma educação antirracista e comprometida com a valorização dos saberes ancestrais afro-brasileiros. Mais do que compartilhar conhecimentos, buscamos fomentar o respeito à diversidade religiosa, enfrentar o racismo religioso e fortalecer o diálogo intercultural. A aprovação da proposta no Edital Nego Bispo demonstra a relevância dessa iniciativa e reforça o compromisso do IFRO com uma formação inclusiva, plural e socialmente referenciada".

O encerramento do curso ocorreu com a certificação dos cursistas, marcando a conclusão da ação formativa voltada à construção de uma educação comprometida com os direitos humanos, a equidade racial e a valorização da diversidade. Segundo a equipe organizadora, a iniciativa ganha relevância em um contexto nacional em que episódios de intolerância e racismo religioso continuam sendo registrados.

Casos recentes, amplamente divulgados pela imprensa, como ataques a estudantes por utilizarem símbolos de religiões de matriz africana em escolas e a invasão de um terreiro por agentes públicos sob alegação de perturbação da ordem, evidenciam a necessidade de ampliar espaços de formação, diálogo e conscientização. Nesse cenário, ações educativas como o Curso de Cosmovisão Afro-Brasileira reafirmam o papel social do IFRO na promoção do respeito à diversidade, no combate às diferentes formas de discriminação e na formação de cidadãos comprometidos com uma sociedade democrática e plural.

"Esta formação só foi possível graças ao comprometimento da idealizadora da proposta, a aluna Kerollyn Custódio, que conduziu a organização do curso com dedicação, sensibilidade e profundo compromisso com a valorização dos saberes ancestrais. Seu trabalho foi fundamental para transformar a proposta aprovada em uma ação formativa de qualidade e de grande impacto para os participantes", acrescenta Mônica.

Conforme a cursista e professora de rede estadual de educação, Michele Andrade, "participar deste curso foi uma experiência muito enriquecedora. A formação ampliou minha compreensão sobre as religiões de matriz africana, sua história, seus valores, suas tradições e sua contribuição para a cultura brasileira. Além disso, as discussões sobre intolerância e racismo religioso reforçaram a importância do respeito à diversidade, da valorização da ancestralidade e da promoção de uma educação mais inclusiva e antirracista. Foi um aprendizado significativo, que certamente contribuirá para minha prática profissional e para a construção de uma sociedade mais respeitosa e consciente".

A oferta da formação foi possível graças à captação de recursos externos, obtida com a aprovação da proposta no Edital Nego Bispo de Saberes Ancestrais, voltado ao apoio de iniciativas educacionais que promovem a valorização dos conhecimentos ancestrais, das culturas afro-brasileiras e das práticas de educação antirracista. Tendo iniciado no mês de fevereiro deste ano, a capacitação se incluiu entre as ações formativas voltadas à inclusão, à diversidade e aos direitos humanos.

 

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