Ir direto para menu de acessibilidade.
Início do conteúdo da página

NEABI do Campus Ji-Paraná participa de discussões sobre formas de reparação da escravidão no Brasil

Publicado: Quinta, 08 de Fevereiro de 2024, 16h04 | Última atualização em Quinta, 08 de Fevereiro de 2024, 16h28 | Acessos: 398

NEABI 01

Uma equipe que integra o Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (NEABI) do Instituto Federal de Rondônia (IFRO) - Campus Ji-Paraná, participaram na noite de 05/02, de uma reunião com lideranças e integrantes do movimento negro do município de Ji-Paraná para elaboração de sugestões sobre formas de reparação do processo de escravidão pelo Banco do Brasil.

A equipe do NEABI/Jipa presente na reunião foi composta pelos estudantes Vinícius Inácio de Cristo e Matheus Silva Samasquini, pela professora Mônica Apolinário e pela aluna egressa Giulia Apolinário.

Durante o encontro, o estudante Vinícius Inácio de Cristo, membro do NEABI/JIPA, deu ênfase à necessidade da disseminação da cultura, conscientização, educação e edificação do orgulho do negro. “Por se tratar de uma instituição que se edificou com o tráfico negreiro, é nada mais que obrigação histórica promover a desarticulação de estigmas e preconceitos, que por vezes mata o povo negro" afirmou Vinícius.

 A professora Mônica Apolinário, coordenadora do NEABI/JIPA, evidenciou que o inquérito apresenta dados relevantes em que consta que muitos recursos que fundaram o banco são oriundos do tráfico. Para ela “interrogar o passado nos permite compreender certas situações vivenciadas hoje, nesse caso específico, as mazelas oriundas da escravização de pessoas negras no Brasil. É urgente a efetivação de medidas de reparação à população negra”.

Entre as sugestões apresentadas pelo grupo estão o financiamento de pesquisas sobre o passado escravagista, fomento às cadeias produtivas em áreas de quilombos e comunidades predominantemente negras, acesso a programas de financiamento para ações voltadas para a saúde, educação e  moradia, fomento à participação de pessoas pretas e pardas em cargos de gestão, incentivos fiscais e redução de juros para a iniciativa privada para ações de valorização das questões étnico-raciais, divulgação de informações culturais e históricas nos espaços visuais das agências, entre outras. “O NEABI/JIPA convida a população em geral a contribuir com sugestões ao MPF para a elaboração do plano de reparação a ser executado pelo banco público”, reforça a professora Mônica.

Contexto

Em 18 de novembro de 2023, a presidente do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, pediu perdão ao povo negro pela atuação da entidade durante a escravidão. A declaração foi uma resposta ao Ministério Público Federal (MPF) que conduz uma apuração sobre o envolvimento do banco com o tráfico e com traficantes de pessoas escravizadas no século 19. Pesquisas apresentadas no inquérito apontam a relação de “mão dupla” do banco com a economia escravagista da época, refletida no comando da instituição, que era composto por pessoas ligadas ao comércio clandestino de africanos.

O pedido de desculpas tem uma importância histórica, uma vez que a instituição financeira quebrou o silêncio sobre a sua própria história, fomentando o debate público acerca dos efeitos da escravidão e enfrentamento das mazelas resultantes atualmente. No entanto, um pedido de desculpas não é suficiente, o MPF defende a necessidade de reparação e aprofundamento das reflexões para o enfrentamento de problemas estruturais resultantes da escravização de pessoas no país.

Até o dia 9 de fevereiro, o Ministério Público Federal (MPF) receberá contribuições da população em geral, de entidades e de movimentos sociais sobre como o Banco do Brasil poderá reparar sua participação no tráfico de pessoas negras no século 19. A consulta pública é parte integrante do inquérito que tramita no MPF e tem por objeto “Tráfico de Pessoas Negras Escravizadas e o Banco do Brasil: Direito à Reparação”.

As sugestões e propostas podem ser enviadas por meio de protocolo no MPF – fazendo referência ao inquérito (IC 1.30.001.004372/2023-13) – ou para o e-mail da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão do Rio de Janeiro (PRDC/RJ), no endereço eletrônico Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..

O inquérito

A ação foi instaurada em setembro de 2023 pela PRDC/RJ, após manifestação apresentada por um grupo de 14 professores e universitários. O inquérito objetiva promover a reflexão sobre o tema para garantir que crimes contra a humanidade como esse não se repitam. É fundamental a garantia de mecanismos de reparação com um olhar voltado para o presente e o futuro, permeado por reflexões sobre justiça, memória e verdade.

As pesquisas apresentadas apontaram a participação do Banco do Brasil no tráfico transatlântico e a necessidade de apuração e debate sobre a responsabilidade de instituições do país envolvidas com a escravização de pessoas no século 19. Os historiadores que investigaram o assunto apuraram a participação, no quadro de sócios e na diretoria do banco, de pessoas ligadas ao comércio clandestino de africanos e à escravidão.

Leia a integra do despacho do MPF sobre o inquérito: https://www.mpf.mp.br/rj/sala-de-imprensa/docs/pr-rj/pr-rj-00130026-2023.pdf

Leia sobre o posicionamento do banco do Brasil sobre o assunto: https://www.bb.com.br/pbb/pagina-inicial/imprensa/n/67675/posicionamento#/

Com informações do MPF

 

  • NEABI_01
  • NEABI_02
  • NEABI_03
  • NEABI_04
Fim do conteúdo da página
Consentimento para o uso de cookies
Este site armazena cookies em seu computador. Os cookies são usados para coletar informações sobre como você interage com nosso site e nos permite lembrar de você. Usamos essas informações para melhorar e personalizar sua experiência de navegação e para análises e métricas sobre nossos visitantes. Se você recusar, suas informações não serão rastreadas quando você visitar este site. Um único cookie será usado em seu navegador para lembrar sua preferência de não ser rastreado.