Aos 16 anos, estudante do Campus Calama se prepara para intercâmbio na Colômbia
Além de Elano, outros nove discentes do IFRO foram selecionados no edital do Programa de Mobilidade STEM Internacional

Aos 16 anos, o estudante Elano Lopes Martins da Silva, do 3º ano do curso técnico em Química do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Rondônia (IFRO), Campus Porto Velho Calama, já construiu uma trajetória marcada pela pesquisa, pelas olimpíadas científicas e pela busca por novas oportunidades. Agora, ele se prepara para dar mais um passo nessa caminhada: uma viagem à Colômbia no mês de outubro para participar de uma imersão internacional de duas semanas, representando o IFRO no exterior. Além de Elano, outros nove estudantes do Instituto foram selecionados pelo edital do Programa de Mobilidade STEM Internacional.
A oportunidade surgiu por meio de uma parceria entre o IFRO e a AFS Intercultura Brasil, organização que promove intercâmbio estudantil, com a qual Elano já havia tido contato durante sua experiência anterior em um programa realizado no Rio de Janeiro. Ao tomar conhecimento da seleção para a Colômbia, o estudante decidiu participar e foi escolhido para integrar a iniciativa, representando o Campus Calama.
“Eu já tinha experiência com a AFS, agora no Rio de Janeiro. Então, eu olhei e já sabia que era algo que eles organizam muito bem”, conta Elano, que demonstra entusiasmo com a possibilidade de ampliar sua experiência internacional.


A viagem representa também a continuidade de uma trajetória que vem sendo construída dentro e fora da sala de aula. No IFRO, Elano encontrou na Química uma área que despertou seu interesse e passou a se envolver com pesquisa, especialmente em estudos relacionados à nanotecnologia e às chamadas doenças negligenciadas. Entre seus objetivos está contribuir para o desenvolvimento de alternativas mais acessíveis para o tratamento da leishmaniose. O estudante participa de atividades de pesquisa no Laboratório do Centro de Pesquisas em Tecnologias Químicas e Materiais da Amazônia (CENTEQMA), em contato com professores e estudantes da área de Química e Engenharia Química.
Essa vivência já o ajuda a projetar os próximos passos de sua formação. Entre as possibilidades que considera para a graduação estão Engenharia Química, Engenharia Nuclear, Engenharia de Energia e Nanotecnologia.
Trajetória de oportunidades
Antes mesmo de chegar ao ensino médio, Elano já tinha contato com competições acadêmicas. No IFRO, retomou a participação em olimpíadas e passou a conquistar resultados que abriram novas portas. Entre as experiências citadas pelo estudante estão olimpíadas de Matemática, Nanotecnologia e Química, incluindo medalhas de ouro em Nanotecnologia e na Olimpíada Brasileira de Química. Os resultados também o levaram a participar de um projeto de Iniciação Científica em Matemática.


Mais recentemente, sua participação ocorreu em um programa nacional voltado às áreas de ciência, matemática, tecnologia e engenharia. A seleção envolveu análise de currículo, produção de textos em inglês e entrevista. Elano foi o único estudante selecionado de Rondônia e integrou um grupo de jovens de diferentes regiões do país, trazendo a medalha de ouro nessa investida. A experiência incluiu uma semana de atividades no Rio de Janeiro, com visitas a instituições como o Instituto Militar de Engenharia; a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); o Instituto de Química Verde e unidades do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai).
Para o estudante, o contato com laboratórios, universidades e espaços de pesquisa ajudou a ampliar sua visão sobre as possibilidades profissionais dentro das áreas de ciência e tecnologia. Foi também sua primeira viagem sozinho, uma experiência que, segundo ele, contribuiu não apenas para sua formação acadêmica, mas também para sua autonomia e capacidade de interação.
Experiência internacional
A relação de Elano com o inglês começou ainda na infância, principalmente por meio da internet, de jogos e de músicas. Com o tempo, o idioma passou a fazer parte de sua rotina. Atualmente, ele afirma conseguir se comunicar e até pensar em inglês. Esse conhecimento foi importante para sua participação no programa internacional realizado no Rio de Janeiro, que teve uma etapa on-line conduzida integralmente em inglês.
Agora, a experiência adquirida ganha um novo capítulo com a viagem à Colômbia. Durante as duas semanas fora do país, Elano será oficialmente um representante do IFRO. A instituição prevê flexibilização das atividades acadêmicas para que os estudantes selecionados possam participar da experiência sem prejuízo à avaliação, mediante adaptações de provas e trabalhos.
Ciência com propósito social
Mais do que acumular medalhas e experiências, Elano afirma que deseja utilizar sua formação para produzir impactos positivos na sociedade. É essa perspectiva que orienta seu envolvimento com a pesquisa sobre doenças negligenciadas, especialmente a leishmaniose. O estudante participa de estudos que buscam desenvolver formas de tratamento mais acessíveis, como alternativas em pomada, gel ou outras formulações que possam facilitar o atendimento às pessoas afetadas pela doença. Para ele, o propósito de sua futura profissão está justamente na combinação entre fazer aquilo de que gosta e contribuir para a vida de outras pessoas. “Eu pretendo fazer algo que eu gosto enquanto eu ajudo uma pessoa”, resume Elano.
Agora, com a Colômbia no horizonte, o estudante leva consigo não apenas o conhecimento construído no IFRO, mas também a experiência de quem aprendeu a transformar oportunidades em novos caminhos. A viagem internacional representa mais uma etapa de uma trajetória que ainda está começando — e que já aponta para um futuro conectado à ciência, à pesquisa, à inovação e à transformação social.
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