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Campus Porto Velho Calama recupera respiradores e produz máscaras de proteção para profissionais de saúde no combate à Covid-19

Publicado: Terça, 31 de Março de 2020, 14h19 | Última atualização em Terça, 07 de Abril de 2020, 14h51 | Acessos: 85588

mascara de proteção

Diante da pandemia de Sars-CoV-2, conhecido como “novo coronavírus”, pesquisadores do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Rondônia (IFRO), Campus Porto Velho Calama, têm usado a ciência e a tecnologia para produzir “armas” de enfrentamento a esse grave problema de saúde pública. A instituição está também compondo o Comitê Técnico-Científico formado na última semana pelo Governo de Rondônia para o combate à pandemia.

Algumas soluções efetivas que se encontram em fase de testes são a fabricação de máscaras de proteção a serem utilizadas por profissionais de saúde e a fabricação de peças para kits de respiradores mecânicos. Além da ajuda para reparos de equipamentos hospitalares eletrônicos, como monitores cardíacos que acompanham os leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTI).

Essas ações foram inicialmente definidas em reunião de um grupo de professores do IFRO Calama em visita à direção do Hospital de Base Ary Pinheiro. Na ocasião, os profissionais foram recebidos pela diretora-geral, Raquel Vil Costa; pelo diretor adjunto, Ailton Wanderley de Andrade; e pelos médicos Horácio Tamada e Amaury Apolônio, quando eles puderam conhecer outras demandas para levantar em quais expertises o Instituto poderia contribuir. 

Os professores Fernando Gromiko Helena, José Diogo Forte de Oliveira Luna, Artur Vitório Andrade Santos, Kariston Dias Alves e Lígia Silvéria Vieira da Silva estão engajados na produção e manutenção de produtos hospitalares. A equipe produziu o protótipo de máscara facial a ser distribuído para uso dos profissionais da saúde em Porto Velho.

Máscaras de proteção

De acordo com o professor Fernando Gromiko, foi solicitado apoio para produção de máscaras faciais transparentes, um importante equipamento de segurança individual (EPI) a ser utilizado pelos profissionais de saúde que estão na linha de frente do combate à pandemia. O uso de tais equipamentos visa reduzir o risco de contaminação no contato com os pacientes.

De acordo com o professor José Diogo Luna, “essa máscara é uma proteção a mais. Ela não impede o uso das máscaras de tecido por baixo, e por ser mais extensa e cobrir uma área maior da face, ela amplia a segurança do profissional da saúde”. As máscaras são impressas na impressora 3D do campus e algumas unidades já foram distribuídas para o Hospital de Base Dr. Ary Pinheiro.

A falta de equipamentos de proteção individual no campo da saúde e a pesquisa por alternativas simples e de baixo custo foram fatores que fizeram o Hospital de Base Ary Pinheiro a procurar o IFRO, conforme explica o cirurgião pediatra Horácio Tamada, que trabalha no Núcleo de Segurança ao paciente do HB. Ele ainda diz que a máscara está em falta em todo o país, em razão da alta demanda em áreas críticas de assistência ao paciente e reforça que foram prontamente acolhidos pelos professores do IFRO. Foi desenvolvido o modelo sugerido pelo Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho (SESMT) do HB.

Tamada, que também é professor Associado do Curso de Medicina da UNIR (Universidade Federal de Rondônia), anunciou que dada a potencialidade do IFRO, um novo convênio poderá ser formulado tanto na área técnica, como também no campo de estágio aos estudantes. O médico diz que sempre foi um entusiasta da tecnologia aliada à medicina. “Em momentos de crise surgem as oportunidades para detectar deficiências e falhas nos processos. O surto da Covid-19 proporcionou uma reflexão e a necessidade de procurar auxílio uns aos outros”. 

Respiradores e monitores cardíacos

Outra ação relevante tem sido a fabricação de peças e componentes utilizados nos kits de respiradores pneumáticos mecânicos, usados na UTI do Hospital de Base. Foi informado pelo Diretor Adjunto do Hospital de Base que há a demanda de substituir peças defeituosas dos kits de respiradores pneumáticos mecânicos, como conectores, válvulas, engates e mangueiras. Em face da demanda, a equipe do IFRO já confeccionou alguns modelos, que estão em teste em autoclave para posterior transferência ao Hospital de Base. Essas atividades de manutenção, propostas como projeto de extensão, estarão sendo coordenadas por professores dos cursos Técnico em Eletrotécnica e de Engenharia de Controle e Automação.

No campo da Informática, o professor Kaio Alexandre da Silva lidera a equipe responsável pelos projetos: “Teclado sem toque” (desenvolvimento de um sistema de acoplamento de acionamento por proximidade para botões de elevadores e totem de retiradas de senhas), que responde a um problema urgente: evitar o contato com superfícies que são muito usadas e podem servir como depósitos do novo coronavírus, como é o caso de botões de elevadores e dos totens que distribuem senha para atendimentos em bancos, hospitais, laboratórios e órgãos públicos.

O docente ainda possui o projeto “Desenvolvimento de um respirador mecânico portátil, de baixo custo e fácil fabricação”. A respeito do segundo projeto, Kaio explica que “respiradores são máquinas que ajudam os pulmões a inspirar e expirar quando a pessoa não tem a capacidade de operar seu sistema respiratório normalmente. A demanda por esse tipo de equipamento é crescente no Brasil, em razão dos adoecimentos causados pelo novo coronavírus. Muitas pessoas que se encontram no quadro grave da doença necessitam da ventilação mecânica, e sabemos que a oferta de respiradores mecânicos é bastante limitada nos nossos hospitais, por isso o nosso grupo de pesquisa, o GO-TEC, está empenhado dia e noite na fabricação desse protótipo, que esperamos em breve ser habilitado para transferir gratuitamente ao serviço público de saúde”.

Insumos

Perguntado sobre o que falta para ampliar a escala de produção e transferir o produto em maior quantidade aos estabelecimentos de saúde, o Professor Fernando Gromiko afirmou que “faltam insumos para a produção, além do nosso poder de impressão ser limitado. Atualmente, em operação, temos duas impressoras semiprofissionais e outras duas que foram desenvolvidas na própria instituição, pelo Professor Artur Vitório. Porém, estamos em diálogo com possíveis parceiros, como a Dydyo, que dispõe de maquinário mais adequado a uma produção em massa através de técnicas de injeção plástica. O Ministério Público do Trabalho, por meio da Doutora Camilla Holanda, que soube do nosso projeto, se sensibilizou com o nosso esforço e se dispôs a mediar uma possível transferência de recursos arrecadados com multas para ajudar a produção. A direção-geral do campus está cuidando da tramitação da documentação necessária para possibilitar o recebimento desse recurso”.

O professor ainda comentou a respeito deste primeiro contato com o Hospital de Base. Segundo ele, de imediato obtiveram um retorno significativo de toda equipe, a proposta foi acolhida e os profissionais do HB têm auxiliado nos testes, validação e melhoria dos produtos. O contato com o serviço público de saúde tem apontando outras linhas de pesquisa na qual a IFRO pode atuar de forma colaborativa e inventiva.

Projetos da Química e Biologia

Além desses, vários outros projetos de pesquisadores do Campus Calama foram submetidos à Pró-Reitoria de Pesquisa do IFRO, que tem buscado recursos para subsidiar o desenvolvimento dessas novas ações P&D (Pesquisa e Desenvolvimento).

Dentre os novos projetos de enfrentamento à COVID-19, na área da Química a coordenadora do Curso Técnico em Química Integrado ao Ensino Médio, Hélida Soleane, apresentou projeto para desenvolvimento de álcool em gel 70%, que serve como desinfectante das mãos e de superfícies.

A Professora Hélida Nobre conta que “a produção de álcool em gel primeiramente será para atender aos hospitais públicos da cidade de Porto Velho e, na sequência, espera-se ampliar a escala de produção para atender à população, por meio da Secretaria Municipal de Assistência Social e da Secretaria Estadual de Assistência Social”.

Outra iniciativa é a da Professora de Química Marcia Bay, que propõe a produção de água sanitária para desinfecção e limpeza de superfícies (produto indicado pelo Ministério da Saúde). A proposta da Professora Márcia Bay, por sua vez, tem como público-alvo os órgãos públicos e a sociedade civil.

Na interface entre a Biologia e a Educação, o Professor Edailson de Alcântara de Corrêa propõe um estudo intitulado “COVID-19: histórico, disseminação, impactos e prevenção na saúde em Rondônia, Amazônia Ocidental, Brasil”, que visa desenvolver processos sistemáticos de orientação e capacitação técnica que auxiliem na compreensão, prevenção e mitigação dos impactos da Covid-19 em Rondônia. Dentre os objetivos específicos do estudo constam descrever os aspectos moleculares estruturais de SARS-CoV-2, realizar treinamentos acerca de conceitos básicos de segurança epidemiológica de SARS Cov-19 e de outras arboviroses de importância na região e sobre os mecanismos de prevenção. Propõe ainda desenvolver ensaios para produção de soluções assépticas de rotina e produzir informes educativos para divulgação multimeios que orientem e esclareçam quanto a doença e seus impactos junto à população.

Campi Calama e Cacoal

Em parceria com a docente lotada no Campus Cacoal, Graziela Tosini Tejas, a Professora Xênia de Castro Barbosa tem como projeto: “Covid-19: subnotificação e diferenças socioespaciais em Rondônia”. Elas darão início nos próximos dias a investigação que visa mapear o panorama da subnotificação da Covid-19 em Rondônia, avaliando os fatores institucionais e culturais que podem convergir para o problema, no intuito de contribuir com a instrução de políticas públicas na área.

O projeto conta com a participação de servidores e estudantes do IFRO e da Universidade Federal de Rondônia. Para a Professora Xênia de Castro Barbosa, “o projeto possibilitará avançar no (re)conhecimento acerca dos principais fatores que interferem na subnotificação da COVID-19. De imediato identificam-se contribuições ao SUS nas seguintes áreas: (a) no estabelecimento de linhas de ações nos serviços de saúde consideradas prioritárias para o aprimoramento do registro da informação de doenças e agravos de notificação compulsória; (b) nas qualificações de estratégias em vigilância em saúde. Outra importante aplicação é oriunda do aspecto cognitivo e cultural da saúde, que também será investigado na pesquisa”.

Diante de todos os projetos propostos pelo Campus Porto Velho Calama, o Diretor-Geral, Leonardo Pereira Leocádio,  disse que se alegra ao saber que na unidade educacional que gerencia “há pesquisadores competentíssimos, pessoas de bem, dedicadas a contribuir com o enfrentamento dessa grave emergência de saúde pública que estamos vivendo”. Ele concluiu que “é fundamental avançar no fortalecimento do Sistema Único de Saúde, favorecendo o intercâmbio entre os Institutos Federais, as Universidades e a realidade dos serviços de saúde”.

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