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Amazônia é centro do debate em eventos dos campi em Porto Velho

Publicado: Sexta, 06 de Setembro de 2019, 11h14 | Última atualização em Segunda, 09 de Setembro de 2019, 13h41 | Acessos: 199

 Agroculturas Profept 12O Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Rondônia (IFRO) recebeu o IV Seminário Internacional “As fronteiras agroculturais na Amazônia: histórias contestadas, culturas emergentes, territorialidades nacionais”. Realizado nos Campi Porto Velho Zona Norte e Porto Velho Calama, nos dias 22 e 23 de agosto, o evento ocorreu de forma simultânea ao I Seminário Regional do Programa de Mestrado em Educação Profissional e Tecnológica (ProfEPT).

Desde a abertura, foram levantadas reflexões sobre as transformações sócio-históricas pelas quais passam a região. Integrante da equipe interinstitucional que organiza os encontros, o Professor Vitale Joanoni Neto, da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), explicou ser uma série de cinco eventos, iniciados desde o ano passado, ocorrendo em pontos diferentes da Amazônia Legal e em universidades estrangeiras. O primeiro foi na Universidade Cardiff, no Reino Unido, na sequência sediaram as atividades Cuiabá (MT), depois foi na fronteira Brasil-Colômbia nos municípios Tabatinga e Leticia, Porto Velho recebeu o quarto encontro e no próximo ano será em Londres.

“Eu não sei se felizmente ou infelizmente, coincide com esse momento nacional e, particularmente, local. Batizamos esse quarto seminário de as fronteiras agroculturais na Amazônia, e nossa pretensão é basicamente construir uma rede de pesquisadores internacionais que dialoguem a partir de pressupostos diferentes, e que tentem ver modelos de desenvolvimento, que tentem sair dos seus lugares comuns. Não há porque não nos propormos um desafio menor que esse, pois para reafirmar o que já existe não precisaríamos desse esforço todo. Nós nos propomos a pensar diferente, por exemplo, a pensar o agro não somente como um negócio, mas um modo de ‘con-viver’. De pensar as pessoas não como indivíduos, mas como parte do meio em que vivem”, afirmou o docente mato-grossense sobre o almejado respeito aos diferentes para alcance de algo mais digno e humano.

O tema do Seminário é fruto de pesquisas desenvolvidas pela Rede Internacional de Pesquisa em Agroculturas Amazônicas, subsidiada pelo Conselho de Pesquisa em Artes e Humanidades do Reino Unido (Arts and Humanities Research Council - UK-AHRC). O evento discutiu ainda os desafios da história, da cultura e das identidades amazônicas no contexto de expansão da fronteira agrícola na Amazônia. Assim como a primeira edição do Seminário do Mestrado primou pela temática Diversidade e Inclusão, dialogando com a atividade internacional, na medida em que aborda a problemática da diversidade amazônica na perspectiva da inclusão educacional.

Representando o Reitor do IFRO, o Pró-Reitor de Pesquisa, Inovação e Pós-Graduação (PROPESP), Gilmar Alves Lima Junior, falou sobre a importância dos dois eventos, que disse fazerem parte da entrega do Instituto Federal de Rondônia para toda a sociedade. “É muito salutar quando encontramos um grupo de pessoas altamente qualificadas e interessadas em discutir um padrão mais alto que possam subsidiar as decisões de outros órgãos, seja no ensino no nosso Instituto ou para nossos parceiros”, afirmou Gilmar.

Na fala do represente do Campus Porto Velho Zona Norte, Aloir Pedruzzi Junior, verificou-se a necessidade de buscar a geração de um agronegócio sustentável, por representar cerca de 70% da receita do Estado de Rondônia, momento de se discutir essas fronteiras e de forma salutar haver o crescimento da fundamentação teórica. Após a formação da mesa de abertura, fizeram a apresentação do projeto do Seminário Internacional “As fronteiras agroculturais na Amazônia” os professores Antonio Ioris da Cardiff University e Vitale Joanoni Neto (UFMT). Ioris ainda doou uma de suas obras, com o título Amazônia, para a Biblioteca do Campus Porto Velho Zona Norte. O livro possui ainda como autores Marcílio de Freitas, Marilene Côrrea e Walter Esteves.

Atividades

A conferência de abertura, ministrada por Bóris Marañon Pimentel (Universidad Nacional Autónoma de México), foi intitulada “Del progreso-desarrollo hacia los buenos vivires descoloniales”.  Entre as propostas apresentadas, estavam práticas e outras maneiras de viver, tendo em vista compreender o mundo a partir de relações de poder e do funcionamento do capitalismo. “Necessitamos de outras teorias além das marxistas para entender o sistema”, afirmou o docente que ainda explicou que encerrado o colonialismo, os dominados continuam numa colonialidade, como é o caso dos países americanos em que a europeização cultural se mantém. Para ele é necessário “encontrar o equilíbrio entre a verdade, o belo e a justiça”.

Entre outras mesas redondas e atividades de debates realizadas, ocorreram também as apresentações dos Grupos de Trabalhos: Educação Profissional em espaços de fronteira: trabalho, memória e processos pedagógicos; As faces da violência: reprodução do discurso de ódio na literatura nacional; e Práticas Educativas no Contexto de Construção das territorialidades na Amazônia.

Ao final do primeiro dia, houve ainda visita técnica ao Memorial Rondon. O Professor de História do Campus Porto Velho Calama, Uilian Nogueira Lima, explica que a visita realizada com a colaboração do historiador Lourismar Barroso serviu para conhecer mais o início da cidade de Porto Velho, na região da Vila de Santo Antonio, mostrando como o local antes região de Mato Grosso com divisa do Amazonas deu lugar a Porto Velho, a poucos quilômetros dali.

“A visita ao Memorial Rondon, que é um personagem da nossa história, que marcou a nossa memória, e que vai dar nome ao nosso próprio Estado. Aí pegamos essa história da construção da ferrovia, dos indígenas, do catolicismo na nossa região, dos operários, esse processo histórico que acontece aqui, conseguimos mostrar, por meio dessa visita guiada, aos nossos palestrantes e participantes do nosso evento”, disse o historiador.  

Aula Magna

O Professor da Universidade Federal de Rondônia (UNIR), Nilson Santos, proferiu na noite do dia 22 a aula Magna do Mestrado em Educação Profissional e Tecnológica, com tema “Educação e diversidade na Amazônia: os desafios da interculturalidade”.   Ele começou questionando aos presentes “O que estamos vivendo? Por quê?”, afirmando que “arrancar as carapaças grudadas tem sido uma necessidade”. Para o professor Nilson é preciso fazer um contra-discurso, mostrar coisas boas. 

Ressaltando que os governos dos demais países buscam projetos que envolvam a nação, mesmo em governos czaristas ou nazistas, ou exemplos como Chaves na Venezuela e Evo Morales na Bolívia, não se há projeto pessoal, mas para o todo. “Mas no Brasil, a elite, ou quem esteja no poder, sempre tem projeto de nação que não está ‘junto’ o povo. História da elite brasileira nunca foi assim, nunca teve um projeto de nação”, mostrou o convidado, destacando que há um afastamento entre ciência e Estado, entre elite que pensa e elite que age. Seguindo esse pensamento, mostrando o contexto atual na qual as transnacionais financiam governos frágeis, é que a área de educação, em que atuam os mestrandos do ProfEPT, precisam definir a que modelos seguir, por isso a necessidade de se estudar, de ampliar conhecimentos, especialmente para serem formados  intelectuais de retaguarda. 

Publicações

Conforme a Coordenadora local dos eventos, Xênia de Castro Barbosa, “o evento se encerrou às 22 horas da sexta-feira, com o espetáculo sensorial ‘Sons de Beira’, dos artistas Bira Lourenço e Catatau, que encantou aos presentes e estimulou ainda mais o debate sobre a cultura amazônica”. Já dia 24 de agosto, em atividade extra do evento, a equipe organizadora se encontrou para fazer a avaliação do evento, ratificando a participação do ProfEPT na rede internacional de Pesquisa em Agroculturas Amazônicas.

Em relação à comunicação científica do evento, deliberou-se pela produção de anais, que será uma publicação bilíngue e contemplará os resumos expandidos submetidos aos grupos de trabalho, bem como um livro, cujos capítulos serão compostos pelos pesquisadores que participaram das mesas de discussão e por convidados dos organizadores, e um dossiê em revista com Qualis A1, com os textos dos conferencistas e trabalhos de maior destaque, conforme normas e critérios do próprio periódico.

“As publicações serão financiadas pela Rede Internacional de Pesquisa, sem ônus para o IFRO, serão divulgadas no Brasil, Reino Unido, México e País de Gales, dentre outros. Na sequência serão elaborados os novos projetos de pesquisa, para desenvolvimento ao longo de 2020 no âmbito da referida rede de pesquisa”, elucida Xênia. Outra notícia repassada pela docente foi a disponibilização de vagas para pós-doutorado aos professores do ProfEPT que desejarem realizar estudos no Instituto de Geografia e Planejamento da Cardiff University.

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