Campus Porto Velho Calama agora conta com Sala de Recursos Multifuncionais
O espaço conta com tecnologias assistivas, materiais adaptados e recursos pedagógicos para atender alunos com necessidades educacionais específicas
Uma sala com recursos educacionais de ponta já está em funcionamento no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Rondônia (IFRO), Campus Porto Velho Calama, ampliando o atendimento a estudantes com necessidades educacionais específicas. O objetivo é garantir condições reais de acesso, permanência e aprendizagem.
A Sala de Recursos Multifuncionais é um espaço de Atendimento Educacional Especializado (AEE) que oferece suporte a estudantes com deficiência, transtornos do desenvolvimento, TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade), dislexia e altas habilidades. O ambiente atua de forma complementar ao ensino regular, com foco na aprendizagem efetiva.
De acordo com a Diretora de Ensino do campus, Sheylla Chediak, o projeto teve início em 2024, a partir da articulação entre a Direção de Ensino, a Direção-Geral e o Núcleo de Atendimento às Pessoas com Necessidades Educacionais Específicas (Napne), diante da crescente demanda por inclusão. “A sala representa um processo coletivo e contínuo, construído por muitas mãos, e reafirma a inclusão como uma escolha institucional. Mais do que um espaço físico, ela materializa o compromisso com a permanência, a aprendizagem e a equidade, resultado de planejamento, desafios e do envolvimento de toda a comunidade acadêmica”, destacou.
Atualmente, o Napne atende cerca de 140 estudantes com necessidades educacionais específicas. A implantação da sala envolveu planejamento, formalização, reestruturação de espaços, aquisição de equipamentos e formação de profissionais. A Coordenadora do Napne, Lilian Catiúscia Eifler Firme da Silva, ressaltou que o núcleo atua na promoção de ações educacionais baseadas no respeito às diferenças e na igualdade de oportunidades.
“Acreditamos que a sala de recursos multifuncionais ajudará a potencializar os talentos e habilidades dos nossos alunos”, afirmou. Lilian também destacou o trabalho coletivo na consolidação do Núcleo e reconheceu a contribuição de gestões anteriores, da Coordenadora Lívia Catarina Telles e da Assistente de Alunos Elaine Márcia Souza, bem como da equipe de servidores, colaboradores, intérpretes e cuidadores.
Construção coletiva e compromisso institucional
Desde o início, o projeto foi desenvolvido de forma colaborativa, incluindo a participação de estudantes. O croqui da sala, por exemplo, foi elaborado por alunos do Curso Técnico em Edificações, sob orientação docente, reforçando o caráter formativo da iniciativa. O investimento na estrutura foi de aproximadamente R$ 100 mil, com previsão de continuidade e ampliação.
O Diretor-Geral do campus, Willians de Paula Pereira, destacou que a iniciativa é resultado de um esforço coletivo e de uma política institucional voltada à inclusão. Ele agradeceu a sensibilidade do Reitor do IFRO, Moisés José Rosa Souza, para a iniciativa de viabilizar o projeto. “A consolidação dessas ações é fruto de um trabalho contínuo, construído por várias mãos. A gestão precisa estar comprometida com projetos institucionais, e a inclusão é uma pauta desafiadora, mas assumida pelo IFRO”, afirmou.
Segundo o Diretor, o aumento no número de estudantes com necessidades específicas exige ampliação de recursos e planejamento constante. “O campus tem se tornado referência no acolhimento desses estudantes e de suas famílias, contribuindo para transformar a forma como a sociedade enxerga a inclusão”, ressaltou.
O Professor Willians também enfatizou o papel do Napne e da sala de recursos no fortalecimento dessas ações. “A inclusão vai além do acesso. Envolve compreender o contexto dos alunos, sensibilizar a comunidade acadêmica e promover uma formação mais humana”, completou. O diretor fez ainda referência ao protagonismo do estudante Carlos Eduardo Martins Maciel, que foi seu orientando em Iniciação Científica e que organizou o Centro Acadêmico do Curso de Análise e Desenvolvimento de Sistemas, promovendo a interação dos acadêmicos, o que antes não acontecia.
Estrutura e funcionamento
A sala conta com diversos recursos de tecnologia assistiva e materiais pedagógicos, como computadores adaptados, lousa digital, ábaco, materiais em braille, impressoras específicas para deficiência visual, além de equipamentos como o multiplano para ensino de matemática.
O espaço possui ambiente destinado à autorregulação dos estudantes e área de apoio para professores e profissionais, com estrutura para reforço pedagógico e acompanhamento individualizado. O atendimento é realizado por agendamento, com atuação de professores de apoio e equipe especializada, garantindo acompanhamento adequado às necessidades de cada estudante. Inclusão como prática cotidiana
Durante a programação de inauguração, a Professora Maria das Graças Freitas de Almeida apresentou reflexões sobre inclusão a partir de sua pesquisa acadêmica. Segundo ela, a inclusão é um processo contínuo que exige mudança de mentalidade e ação coletiva. “Incluir é transformar práticas, romper paradigmas e garantir que todos tenham acesso, permanência e êxito. Isso acontece no dia a dia, nas atitudes de colegas, professores e da própria instituição”, explicou.
A docente também destacou a importância do Planejamento Educacional Individualizado (PEI), construído de forma colaborativa entre escola, família e estudantes, como ferramenta essencial para o desenvolvimento das potencialidades dos alunos.
Homenagem e reconhecimento
Presente ao evento, o Pró-Reitor de Ensino do IFRO, Jean Peixoto Campos, destacou o caráter coletivo do trabalho para promover a inclusão, afirmando ser necessário que cada um de nós nos adaptemos para realizar esse atendimento diferenciado, conforme o lema da instituição, de transformar pela educação.
O momento também foi marcado pela participação dos estudantes. O aluno Gabriel Magalhães destacou, por meio de um poema, a importância de reconhecer as diferenças sem discriminação. “Todos devem ter a oportunidade de aprender, viver e exercer sua dignidade, sem rejeição ou preconceito”, afirmou.
Já o estudante Carlos Eduardo Martins Maciel, com deficiência visual, ressaltou o impacto da nova estrutura. “O que recebemos hoje não é apenas uma sala, mas uma oportunidade de crescimento e de potencializar o aprendizado. É um avanço importante para a inclusão, e me sinto honrado em fazer parte desse momento”, declarou.
A inauguração da Sala de Recursos Multifuncionais ocorreu no dia 9 de abril, como apoio às políticas de inclusão do IFRO e ao compromisso institucional de sempre promover uma educação mais acessível, equitativa e humanizada.
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