Acadêmicas de Física do Campus Porto Velho Calama apresentam Mapa Celeste Tátil no Computer on the Beach em Florianópolis
A tecnologia assistiva impacta positivamente a educação inclusiva e democratiza o saber científico
Um projeto que visa a facilitar a inclusão de pessoas com deficiência visual foi desenvolvido por acadêmicas do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Rondônia (IFRO), Campus Porto Velho Calama. Alice Melissa Deusdete do Vale e Amanda Soares Moura cursam o 7º período de Licenciatura em Física e integram o Grupo AstroIFRO.
O Mapa Celeste Tátil, apresentado como resumo expandido na XVII edição do Computer on the Beach (COTB 2026), no dia 17 de abril, conforme explica Alice, é um protótipo impresso em 3D em alto relevo, com prototipagem eletrônica, que contém todas as constelações do céu de Rondônia do dia 08 de junho, data em que é comemorado o Dia do Astrônomo no calendário municipal de Porto Velho.
O projeto, de acordo com a acadêmica, visa a facilitar o ensino de astronomia para alunos com deficiência visual e baixa visão, devido ao uso de sensores visuais (LEDs) e sonoros (alto falante). Com esses recursos, “é esperado que esses alunos compreendam o ensino das constelações ao serem guiados pelos relevos das linhas conectoras das constelações e pelos LEDs acoplados em cada estrela, que acendem de acordo com a audiodescrição de cada estrela sequencialmente”.
Alice explica que o ensino de astronomia é muito visual. “Por conta disso, alunos com problemas de visão acabam não conseguindo absorver certos conteúdos dessa área”, pontua. Nesse caso, o Mapa Celeste Tátil une a modelagem paramétrica, a manufatura aditiva e a prototipagem eletrônica usando o microcontrolador ESP32.
Mapa Celeste Tátil
No projeto, que está em fase de finalização da prototipagem, cada estrela possui um LED que possui uma cor específica que segue o Diagrama HR, ou seja, estrelas mais quentes possuem LEDs azuis, estrelas médias possuem LEDs amarelos e estrelas mais frias possuem LEDs vermelhos. Com esse padrão, alunos com baixa visão conseguem diferenciar os tipos de estrelas de cada constelação e alunos com deficiência visual conseguem distinguir com a audiodescrição.
O Projeto foi apresentado ao I Bienal Integrada de Pesquisa, Ensino, Extensão e Inovação (BIPEI), no ano passado. Agora elas pretendem participar do Congresso Norte-Nordeste que será realizado em maio. E, também, no Curso de Introdução à Astronomia e Astrofísica, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), que ocorrerá em junho deste ano em São José dos Campos (SP).
Fernando Dall’Igna, do AstroIFRO (Grupo de Pesquisa em Astronomia e Cosmologia), observa que a participação das acadêmicas consolida o projeto como uma solução relevante para a acessibilidade no ensino de Astronomia. Segundo ele, “o êxito desta missão acadêmica é resultado de um esforço coletivo e do apoio institucional que recebemos ao longo do desenvolvimento deste trabalho”, reflete o professor, ao agradecer ao IFRO que viabilizou o projeto por meio do Edital nº 7/2024/REIT/CGAB.
As acadêmicas também agradecem aos orientadores, Professores Laffert Ferreira Gomes e Fernando Dall’Igna pelo rigor acadêmico e orientação técnica no desenvolvimento da pesquisa.
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