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Roda de Conversa discute Racismo e Intolerância Religiosa no Campus Calama

Publicado: Segunda, 09 de Dezembro de 2024, 09h01 | Última atualização em Segunda, 09 de Dezembro de 2024, 09h01 | Acessos: 185

Palestra Racismo e Intolerância ReligiosaA professora Flávia de Souza, da pasta de Políticas para as Mulheres, Professora de História e Mestre em Ensino, veio da cidade de Aracruz, no Estado do Espírito Santo, onde é servidora do Instituto Federal, para participar da programação do mês de novembro da consciência negra. O evento foi coordenado pelo Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi), do Campus Calama, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Rondônia (IFRO).

Durante todo o mês de novembro, o Neabi desenvolveu uma programação diversificada com rodas de conversa, exposições de artes plásticas, desfile de moda, apresentações musicais e artísticas que refletiram sobre o racismo estrutural existente na sociedade brasileira e a necessidade de uma educação antirracista.

À frente da Coordenação de Políticas para Mulheres e prestes a exercer mandato na Direção Nacional do Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe), Flávia Souza palestrou sobre o racismo e a intolerância religiosa, abordando como valores depreciativos podem ser incorporados e naturalizados pela sociedade, no caso das religiões de matrizes africanas e ameríndias.

Mediadora da roda de conversa, a professora Alyne Santos conduziu o evento, que contou ainda com a participação da professora Sabrina Mara Feliciano da Silva, e agradeceu a presença de alunos que vieram de Ariquemes para participar da programação.

A professora Monnike Yasmin, chefe do Departamento de Extensão, deu boas-vindas a todos, destacando o esforço do Neabi. Antes de iniciar, a professora Alyne leu uma poesia – letra de uma canção cantada por Maria Bethânia, que homenageia diversas entidades da cultura africana.

Flávia de Souza iniciou a palestra dizendo ser uma mulher da periferia de Vila Velha, com uma família de religião africana, porém, antes, teria vindo do meio evangélico e posteriormente tornou-se umbandista e sindicalista. Ela explicou como o racismo cultural e religioso gera ações de intolerância. Discorreu que na África atualmente são 54 países com cerca de 495 etnias diferentes e mostrou como países artificiais foram criados por imposição de nações europeias.

Flávia explicou sobre rituais existentes nas religiões de matriz africana: umbanda e candomblé. Segundo ela, somente o conhecimento pode esclarecer as pessoas para que não exerçam a intolerância religiosa como tem acontecido em vários locais do país, onde se depredam e queimam terreiros e agridem seus membros. “Chuta que é macumba” A professora explicou como esse termo ficou gravado de forma depreciativa, sendo comparado ao mal e ao descaso.

Para Flávia é necessário que se pratique uma postura antirracista e que se aborde o tema de forma respeitosa. “Quando não se conhece, não se deve dirigir piadas ou fazer pilhérias quando, por exemplo, se depara com uma oferenda”. Apesar da abordagem e discussão sobre o assunto, segundo a professora, o racismo vem crescendo e há a necessidade de se construir uma nação que reflita e supere a prática. “É necessário entender que a liberdade de culto é garantida na Constituição Federal, sendo o Estado Laico e todos podem professar a fé de acordo com sua cultura e visões de mundo”, pontuou.

A professora Sabrina também discorreu sobre a religião afro da qual disse ser praticante desde adolescente. Ela disse que as pessoas são livres para praticarem qualquer religião com as quais se sintam bem. “A pessoa vai se quiser e não é obrigatória a sua presença”, pontuou, explicando que a base de tudo é o conhecimento e o respeito. Os alunos interagiram no debate, alguns até falaram de situações vividas, expondo que sua família nem sempre pode expressar frontalmente suas práticas religiosas.

Naquela noite, ao abrir a palestra sobre o negro e a sociedade de classes, proferida pelo professor Léo Péricles, o Diretor-Geral do Campus Calama, professor Leonardo Pereira Leocádio, agradeceu aos visitantes que participaram da programação e parabenizou os organizadores do Neabi por todo o evento “por fomentarem discussões políticas que ampliem a conscientização, quando há escolas que ainda perpetuam ideias dissonantes, porém, o IFRO mantém seu papel de romper barreiras para a conscientização de nossos alunos”, pontuou.

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  • Participantes
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