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Naelly se encontrou na pesquisa no IFRO e quer compartilhar conhecimento em prol da sociedade e do meio ambiente

Publicado: Segunda, 12 de Agosto de 2024, 16h12 | Última atualização em Segunda, 12 de Agosto de 2024, 16h13 | Acessos: 748

Naelly 1

Estudar no Instituto Federal de Rondônia (IFRO) era o objetivo de Naelly Nayllén Alves Araújo desde os onze anos de idade, quando estudava numa escola da comunidade no Bairro São Sebastião, em Porto Velho. Eram seus professores que falavam, na época, sobre o ensino de qualidade que havia no IFRO, que tinha Informática, Robótica, projetos e oportunidades de viagem.

Hoje, aos 20 anos, após cursar o ensino médio em Química, ela ingressou no Bacharelado em Química na Universidade Federal de Rondônia, mas retornou ao Campus Calama onde cursa o 2º ano em Engenharia Química. “Meus professores falavam que se eu continuasse mantendo um bom rendimento, eu poderia ingressar no IFRO. E isso acabava me animando e me estimulando a ter boas notas. E assim eu consegui entrar aqui”, diz Naelly.

Ao falar da importância de sua trajetória enquanto estudante no ensino médio, Naelly cita que nesses três anos teve oportunidade em diversas áreas. “Essa é uma das liberdades que a Química tem, que ela não nos limita somente a um eixo específico. Então eu pude me desenvolver dentro do IFRO tanto na área artística quanto na área da Química em si aplicada, mas eu fui também para o ensino”, diz, afirmando que atualmente está mais atuante na pesquisa e que teve a oportunidade de levar os conhecimentos do IFRO para a comunidade através da extensão.

Também participou da área artística, na música, atuando num grupo de percussão. Ela conta que seu grupo fez um projeto de extensão, orientado pela professora Alexandra Oliveira, que levou conhecimento para uma comunidade carente e ensinou a produção de produtos que haviam desenvolvido no laboratório do Campus Calama, como sabonetes, desinfetantes e detergentes, “para pessoas que não têm acesso, porque vimos ali, depois da pandemia, a necessidade da higienização e que muitas pessoas não tinham acesso porque os preços ficaram elevados e eles não puderam ter o mesmo cuidado que a gente”, declara.

Naelly detalha que atualmente trabalha num projeto de pesquisa, em que desenvolvem um processo de hidrocarvão para aplicação de solventes na remoção de corantes contaminantes, proveniente de indústrias têxteis. A definição do projeto é: Síntese de Hidrocarvão a partir de resíduos lignocelulósicos. “Então a gente pega materiais carbonáceos, que seriam, por exemplo, resíduos de açaí, resíduos de curauá, e os transformamos em um material que possa remover contaminantes”, detalha.

Com isso, explica a estudante, “a gente ajuda a natureza duas vezes, onde aquela sementinha do açaí, ela vira um carvão e vai ajudar a remover o corante da água. Além de alimentar, o açaí agrega valor a esse resíduo que seria descartado e traria problemas para o meio ambiente, então ela vira material carbonáceo que será utilizado como descontaminante”.Naelly

Esses resíduos, se deixados ao relento, sem tratamento, se descartados em vias públicas, vão parar nos rios e vão contaminar as águas gerando problemas ambientais, geram problemas de saúde, atraem ratos ou entopem bueiros causando enchentes. “Então a gente pega esse material que seria deixado lá nas vias públicas, sem a devida coleta, e transforma em um material que vai agregar valor. O teste para a transformação é feito no próprio laboratório”, explica a aluna, com uma técnica chamada carbonização hidrotérmica, feita dentro de um reator.

No momento, são testes em pequena escala e, se atingido o objetivo, o experimento poderá ser utilizado futuramente em escala industrial. Ao falar sobre sua perspectiva de futuro na Química, Naelly afirma que o que ela mais ama é a pesquisa. “Eu quero levar meus conhecimentos e transformar, como eu já faço, transformar algo que não tem nenhum valor em algo que possa ajudar o ambiente em que eu vivo. Seja ele social, seja ele no meio ambiente. E eu quero que a minha profissão possa me permitir desenvolver coisas que lá, quando eu tinha onze anos, eu sonhei”, diz, afirmando que se encontrou e se sente muito bem com o que está estudando e fazendo. “Eu me sinto muito bem. O IFRO em si é muito acolhedor, é um ambiente em que eu me sinto realizada, já! Claro que eu almejo muitas coisas ainda que a gente não é totalmente contente com o que a gente tem. Sempre quer mais. Mas eu quero mais que minha profissão. Eu quero poder não somente produzir para a minha região, mas, quem sabe, levar esse conhecimento para fora”.

Ao destacar que a escola lhe deu essa visão social, Naelly afirma que sua família também está contente com a sua realização. “Com certeza. A minha família é muito grata ao IFRO porque eu sou a primeira da minha família a entrar numa federal. Então minha família é muito grata ao IFRO porque aqui eu pude me descobrir, aqui eu criei raízes, eu me desenvolvi profissionalmente e pude alcançar coisas que não eram comuns para minha família”, destaca.

Naelly vai participar ainda este mês, em Belém-PA, do XIV Congresso Norte Nordeste de Pesquisa e Inovação (CONNEPI), quando vai apresentar o projeto do hidrocarvão de açaí. Para os colegas, como mensagem de Dia do Estudante, ela diz que a palavra é persistência. “Ser estudante é persistir cada dia naquilo que você acredita. Não é fácil, requer tempo e dedicação, mas até hoje não conheço nada que me abriu tanto as portas quanto os meus estudos”, finaliza, dizendo estar feliz por falar sobre os estudos em sua primeira entrevista.

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