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Campus Cacoal implanta metodologia do Programa “Balde Cheio” em UEP de pecuária

Publicado: Quarta, 21 de Março de 2018, 17h23 | Última atualização em Quinta, 22 de Março de 2018, 14h50 | Acessos: 2066

Vacas são manejadas diariamente entre os 24 piquetes para consumir alimento com maior potencial proteico

O Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Rondônia (IFRO), Campus Cacoal, liberou nesta semana os primeiros animais de seu rebanho para pastar em uma área que adota a metodologia do projeto “Balde Cheio”. O plano foi desenvolvido pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a transferência dessa tecnologia pode quadruplicar a produção de leite desses animais.

“Esse é o sistema de produção de leite mais eficiente do Brasil hoje, especialmente para o pequeno produtor. As técnicas são de aplicação simples e com bases agroecológicas, o que significa dizer que o dono de uma propriedade pode usar materiais que já estão na sua área para colocá-lo em prática”, explicou Tyago Reinicke, que é extensionista e responsável por acompanhar a execução do programa no Campus Cacoal.

Para implantar a tecnologia uma área de 3 mil metros quadrados foi dividida em 24 piquetes iguais. Durante alguns meses uma espécie de capim foi cultivada na área, aguardando o momento ideal para entrada das vacas. A partir de então, elas pastam durante um dia em cada um dos piquetes e, ao final dos 24 ciclos, retornam para o primeiro, que já terá o capim num ponto ideal de consumo novamente.

Vantagens

Uma das primeiras vantagens em adotar essa tecnologia é o ganho na lotação do pasto. “No cultivo extensivo, são necessários 24 mil metros quadrados para cada animal. Nesse modelo, 3 mil metros quadrados serão suficientes para prover todo consumo necessário aos animais. Em outras palavras, essas vacas vão obter todos os nutrientes que precisam para a produção do leite em uma área que alimentaria meia vaca no outro modelo”, comparou Reinicke.

O trato do capim na metodologia do projeto “Balde Cheio” eleva o potencial proteico do alimento bovino se comparado ao cultivado em pasto aberto, o que também subsidia os bons resultados. “Nesse sistema a proteína do alimento tem uma média 15%, enquanto no cultivo de extensão a média é de 5%. A diferença se transforma em ganhos para o animal, que pode triplicar sua produção de leite, saindo de uma média de 5 para 15 litros ao dia”, complemento o extensionista.

Ainda de acordo com Reinicke, os custos com a alimentação do gado também sofrem queda a partir do uso dessa metodologia de produção. “Geralmente a dieta dos animais precisa ser complementada com outras fontes ricas em proteína e energia, como a soja e o milho. As vacas que se alimentam nesse sistema não necessitam de toda essa complementação, podendo ter só o milho como fonte energetica suplementar, por exemplo”.

Histórico

A busca pela parceria para transferência de tecnologia do projeto “Balde Cheio” para o IFRO teve início através da professora de Zootecnia, Isis Foroni. Ela foi quem primeiro vislumbrou a oportunidade de tratar os animais dentro desse plano alimentar desenvolvido pela Embrapa e que ainda prevê o desenvolvimento de planilhas de custos para estimar a produção e se as intervenções trouxeram ganhos à unidade.

“Uma das principais estratégias do Balde Cheio são as parcerias, que fortalecem essa cadeia produtiva do leite em todo o Brasil. Nossa condição, enquanto Instituto Federal, é produzir conhecimento e aperfeiçoar os métodos utilizados. Ou seja, a partir de agora, estamos integrados a essa expressiva rede de trabalho em que ocorre uma intensa troca de informações para criar uma base de produção sustentável e com qualidade para o leite”, disse Isis.

O Departamento de Integração Ensino, Pesquisa e Extensão (DIEPE) é responsável pela UEP de Pecuária do campus e chefiada por Dierlei dos Santos. Ele explica que a instalação da área já trouxe benefícios ao sistema de manejo do gado na unidade, mas entende que mais ganhos ainda estão por vir.

“Visualmente a gente já consegue perceber a qualidade do capim, pelas características de cor e tamanho. A tendência é que isso melhore ainda mais, com a instalação de um sistema de irrigação adequado e com o processo de adubação. Nesse sentido, um passo importante foi a perfuração de um poço artesiano específico para esse projeto, mas feito com uma profundidade capaz de irrigar mais do que a área que temos hoje, pois nossa intenção é desenvolver mais piquetes como esse”, projetou Santos.

Parcerias 

Diretor geral do Campus Cacoal, Davys Sleman considerou extremamente relevante a parceria desenvolvida e aplicada na transferência dessa tecnologia para o IFRO. “Estamos presenciado aqui um novo laboratório prático para os nossos alunos e para os pequenos produtores da nossa região, que podem encontrar aqui no Instituto soluções simples para alavancar sua produção leiteira e a renda familiar”.

Ele frisou ainda que o projeto já envolve a participação de um aluno da unidade, o estudante do curso Técnico em Agropecuária Caio Borgonhoni, que tem colaborado com suplementos específicos para o controle de carrapatos e outros parasitas. “Ficamos satisfeitos em perceber um projeto que une profissionais do IFRO, de outras instituições e alunos, como o Caio, para gerar conhecimento e benefício para toda a comunidade”.

As três vacas leiteiras que estão hoje na área do Projeto Balde Cheio integram o rebanho da Unidade Educativa de Produção (UEP) de Pecuária do Campus Cacoal. A implantação e execução do projeto conta com o extensionista Tyago Reinicke, o aluno Caio Borgonhoni, os professores Dierlei dos Santos, Isis Foroni, Débora Corrêa, Mahatma Holanda de Holanda e os Técnicos Administrativos em Educação/Técnico em Agropecuária Cesar Boscato e Fernando Cardoso.

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