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Intérpretes de Libras contribuem no acesso, êxito, permanência e acesso de estudantes no IFRO

Publicado: Terça, 26 de Novembro de 2019, 13h06 | Última atualização em Sexta, 29 de Novembro de 2019, 14h49 | Acessos: 1197

Libras Calama 4O IFRO (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Rondônia) vem desenvolvendo políticas que fomentam a inclusão, acesso, permanência e êxito de estudantes. Entre essas políticas estão os códigos de vaga de contratação de profissionais que atuam junto aos surdos ou que desenvolvem capacitação para a comunidade na área de Libras (Língua Brasileira de Sinais). Os intérpretes também são chamados a contribuir em eventos específicos, como os Jogos do IFRO de 2019, que neste ano teve a temática voltada para a inclusão.

Ofertando aulas na modalidade presencial e a distância, o Campus Porto Velho Zona Norte possui na Coordenação de Assistência ao Educando (CAED) uma equipe Multidisciplinar que compõe o NAPNE (Núcleo de Atendimento as Pessoas com Necessidades Específicas). “O/A Tradutor e Intérprete de Libras é o/a profissional ouvinte bilíngue que possibilita acessibilidade linguística entre pessoas surdas usuárias da Língua Brasileira de Sinais e ouvintes. Pode interpretar a Língua de Sinais para a Língua Portuguesa ou vice-versa em quaisquer modalidades que se apresentar, seja oral ou escrita. Este profissional é de extrema importância para permanência de alunos surdos nos cursos uma vez que poucos ou nenhuma pessoa da comunidade acadêmica tem domínio de Libras, desta forma o Tradutor Intérprete de Libras é responsável pelo assessoramento em atividades de ensino, pesquisa e extensão”, esclarece a Tradutora e Intérprete de Libras do Campus Porto Velho Zona Norte, Tamires Gomes de Assis Gonçalves.

O material pedagógico para aulas EaD produzido pelo Campus Porto Velho Zona Norte fica disponível ao público no Youtube. “Conforme informação da Coordenação do Curso Técnico em Cooperativismo, atualmente temos cerca de 1.500 alunos nas turmas de segundo ano, em que realizo a interpretação simultânea às aulas, divididas em 8 CREs. As aulas são disponibilizadas no canal do campus no Youtube para acesso tanto dos alunos do curso quanto a comunidade externa, caso queriam assistir às aulas”.

No Campus Porto Velho Calama, a servidora Nathali Fernanda Machado Silva conta como são suas atividades. “No início do ano letivo de 2019, recebemos a aluna surda Letícia Sophia, no Curso Técnico em Informática Integrado ao Ensino Médio. Durante este ano, o campus realizou diversas ações para promover a Libras e a inclusão da Letícia. Anualmente já era oferecido, através do NAPNE, cursos de Libras, no ensino e na extensão. Dessa forma, o ambiente educacional já estava mais preparado para receber alunos surdos”.

Libras Zona Norte e Calama

Nathali faz parte do NAPNE do Campus Porto Velho Calama. Entre os projetos desenvolvidos estavam o “Músicas em Libras”, em que os estudantes do Calama se interessavam muito pela Língua Brasileira de Sinais. Desta forma, contribuíram na recepção da nova aluna. “Poder colocar em prática o que eles haviam aprendido e conseguir efetivar uma comunicação básica foi muito satisfatório pra todos. Apesar de passar por algumas dificuldades, como a falta de intérprete em algumas atividades de contraturno, visitas técnicas e pesquisa, a aluna se superou a cada bimestre, tendo um ótimo desempenho e aprovação neste ano”, explica a Intérprete de Libras.

Em 2019, o Campus Porto Velho Calama também ofereceu Curso Básico de Libras, em parceria com os alunos do Curso Letras Libras da UNIR (Universidade Federal de Rondônia). Outro projeto, oferecido pela Reitoria do IFRO e desenvolvido pela Intérprete de Libras do campus, foi o de Tutoria de Pares. “Nele a Letícia contou com o auxilio de dois monitores, o aluno Fábio e a aluna Maria Rita, que fizeram um excelente trabalho. E como a aprendizagem é uma via de mão dupla, os dois alunos aprenderam Libras principalmente pela prática de conversação e contato com a Letícia”.

As ações promovem a inclusão efetiva, com os alunos do Campus Calama tendo a possibilidade de superação e de desenvolvimento. “Eu fico muito feliz e orgulhosa da Letícia, pelo seu empenho e determinação. Ela é dedicada e compromissada. Também me sinto muito satisfeita em trabalhar no IFRO com alunos tão incríveis, é um grupo proativo, que entende a importância da Libras e da cultura surda”, diz Nathali.

Atuação junto à comunidade externa

Em Cacoal, a intérprete de Libras vem realizando ações no campus e no município. Michelle Ayres Abreu, que também coordena o NAPNE do Campus Cacoal, participou de um projeto de inclusão durante as eleições, em que colégios eleitorais tiveram pessoal treinado para atender eleitores portadores de deficiência ou mobilidade reduzida.

Na unidade, o IFRO vem se adaptando para promover acessibilidade a futuros alunos surdos que poderão ingressar no campus. “Quando falamos sobre acessibilidade precisamos nos atentar que a acessibilidade não diz respeito apenas às pessoas com deficiência (surdos, cegos, mobilidade reduzida, etc) acessibilidade é para todos. O Instituto Federal a cada ano vem se preocupando em oferecer acessibilidade para nossos alunos, servidores e a comunidade externa, por meio de projeto de Libras, adaptando acessibilidade arquitetônica, capacitando os servidores para atender às necessidades com metodologias dentro e fora de sala. O ingresso de uma pessoa com necessidades específicas em nosso campus nos faz querer lutar e nos adequar, cada dia mais, para que por meio da educação oferecer independência para os mesmos lutarem e irem em busca de seus sonhos”, completa Michelle.

Libras Jaru 2Duas Intérpretes de Libras atuam no Campus Jaru. Márcia Cristina Florêncio Fernandes Moret mostra que “no primeiro semestre de 2019 o Campus Jaru ofereceu Curso de Formação Continuada em Libras – nível básico. O curso FIC foi fruto de demanda apresentada pela Associação Comercial e Industrial de Jaru (ACIJ), que cedeu espaço para realização das aulas, pois, havia o anseio de melhorar o atendimento prestado pelos funcionários do comércio junto ao público surdo. Foram ofertadas 40 vagas, 30 reservadas para os funcionários da ACIJ e 10 para a comunidade em geral”.

Marcela Regina Stein dos Santos complementa: “no segundo semestre de 2019 ofertamos segunda turma de Libras Básico, dessa vez em parceria com o SICOOB. O pessoal do banco apresentou essa demanda que foi fruto de reflexão que tiveram após receber um estagiário surdo, daí, perceberam que seria necessário aprender a LIBRAS para melhorar o atendimento ao público. O curso reservou 25 vagas para funcionários do SICOOB, 10 vagas para a comunidade externa e cinco vagas para servidores do IFRO Campus Jaru”.

Mais projetos em andamento

No Campus Ariquemes, há um estudante surdo matriculado. “Esse estudante não é usuário da Língua de Sinais, ele fala o Português fluentemente e faz a leitura labial, o que possibilita o contato direto dele com os professores e colegas de sala. Temos desenvolvido encontros semanais para que ele aprenda Libras e Música”, explica a Tradutora Intérprete de Língua de Sinais (Libras), Marina Santana dos Santos, que também faz parte do NAPNE, no Campus Ariquemes. As aulas de Libras são ministradas por ela e as de música pelo professor Manoel Sampaio.

Para o público externo “todos os anos temos desenvolvido algo diferente. No ano de 2019, por meio de um projeto de extensão, foi desenvolvido um Curso de Libras para estudantes ouvintes numa escola regular que tem um surdo matriculado em sala de aula”, explica Marina.

Na cidade de Vilhena, Laura Paula Leite explica que seu trabalho no campus do IFRO possui diversas características: “Atuo na instituição principalmente promovendo acessibilidade das pessoas surdas e tenho feito a interpretação das aulas da Pós-Graduação de Ensino de Ciências e Matemática a um aluno surdo. Inclusive esta é a segunda vez que auxilio na formação acadêmica deste aluno, que recentemente formou-se em Licenciatura em Matemática no Campus Vilhena”.

O trabalho das intérpretes vem contribuindo na difusão da Libras em todos os campi e ainda junto à sociedade. “Além de interpretar aulas, também ministro cursos de Libras que são abertos a toda a comunidade. Sou também vice-coordenadora do NAPNE, que atua diretamente no planejamento e execução de políticas voltadas às pessoas com necessidades específicas”, conta Laura.  

“Um dos momentos mais marcantes desde que cheguei à instituição foi a defesa do TCC de um aluno surdo, pois sou formada em Pedagogia e o tema do trabalho foi relacionado à Física. Então, foi um trabalho que exigiu muito esforço e muita dedicação para que o aluno pudesse ter êxito no desenvolvimento do projeto e para que pudesse ser avaliado de forma justa”, recorda a intérprete.

Ela finaliza mostrando o quanto há desafios dentro de seu cotidiano escolar. “A interpretação da Libras é desafiadora justamente por isso, porque muitas vezes  precisamos interpretar sobre assuntos que não conhecemos. No dia desta defesa de TCC fiquei mais nervosa do que no meu próprio TCC”.

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