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IMAGINE é realizado pelo Instituto Federal de Rondônia

Publicado: Quinta, 01 de Novembro de 2018, 19h29 | Última atualização em Quinta, 01 de Novembro de 2018, 19h33 | Acessos: 238

IFRO Imagine 2018 16

O IFRO (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Rondônia) realizou nos dias 30 e 31 de outubro o Imagine (Encontro dos Professores de Línguas Estrangeiras do IFRO). Organizado pela ARINT (Assessoria de Relações Internacionais), o evento é voltado para professores, estudantes, assessores de relações internacionais, pesquisadores, escolas de línguas e interessados no processo de ensino aprendizagem de línguas estrangeiras. Com atividades sediadas no Campus Porto Velho Calama, ocorreram palestras, mesas-redondas, comunicações orais e oficinas.

“Foram discutidas abordagens de ensino envolvendo novas tecnologias e ao mesmo tempo os desafios que isso representa, devido ao uso adequado dessas novas tecnologias, até que ponto elas podem ser inseridas num contexto de aprendizado de línguas estrangeiras. Assim como levar em conta o real aprendizado do aluno, se ele não está apenas usando a tecnologia como muleta, mas também refletir sobre a forma correta de utilizar essas novas tecnologias. Esses são os desafios que nós enfrentamos porque as questões de identidade estão envolvidas aí também”, diz a Assessora de Relações Internacionais, Laura Borges Nogueira.

As duas principais línguas abordadas no evento foram inglês e espanhol, o que proporcionou um maior compartilhamento de conhecimentos entre os profissionais e estudantes. “Juntos eles aprenderam estratégias e refletiram sobre o ensino de línguas estrangeiras no mesmo ambiente. Esperamos que tudo o que foi discutido possa colaborar na formação profissional dos que estão estudando e também na nossa, que já somos profissionais, pois sempre temos que estar nos adequando às novas realidades nesse novo contexto mundial de muitas migrações, de muita intolerância, pensando em até que ponto a tecnologia é usada para derrubar as barreiras entre as pessoas e suas culturas”, ressalta a professora Laura.

Ela complementa: “O outro já não está mais nem no país dele, mas no meu país. E eu também migro e vou para outros países. Então, a tecnologia tanto pode criar pontes, como também pode criar barreiras quando eu me isolo, por exemplo, numa rede social e não convivo com as pessoas. Esse equilíbrio que temos que ter quando falamos de convivência para o ser humano, e isso envolve também aprendizado de línguas estrangeiras”.

Para a ARINT/IFRO, a realização do IMAGINE oferece oportunidades de crescimento profissional aos docentes de inglês e espanhol, além de retroalimentar boas práticas de ensino, pesquisa e extensão. Conforme a Professora de Espanhol do Campus Ji-Paraná, Luciana Pereira, “a forma como está sendo conduzido o Encontro abre o leque para melhorar a nossa metodologia, aproximar o aluno da língua estrangeira. Para que esse aluno se interesse e aprenda. E para que contribua com a formação de modo geral, porque depois eles vão viajar, estudar fora, vão para os intercâmbios. Isso é muito necessário para fazê-los se interessar mais e aproximar a língua estrangeira da vivência dele”.

A criatividade do professor em sala de aula é um ponto importante no trabalho envolvendo novas tecnologias. Para Giselda Costa, da Universidade Federal do Piauí (UFPI), “um dos maiores desafios é que a sala de aula de língua estrangeira está abortando ou ainda não conseguiu fazer essa ligação língua e cultura. Então, só o ser fluente não quer dizer que ficará sem problemas fora do Brasil, porque cultura é fala, é comunicação. Nós poderíamos já trazer a conscientização para o aluno de que o corpo dele também vai falar fora do Brasil”.

Desta maneira, a Professora Giselda acredita que é necessário incluir uma quinta competência comunicativa nas aulas de língua estrangeira, referente ao corpo. “Na nossa internacionalização, estamos só com o foco de trabalhar as quatro habilidades: falar, ouvir, escrever e ler. O aluno precisa estar fluente, mas falta a cultura. Eu tenho muitos relatos de alunos que foram preparados linguisticamente, o verbal, mas não foram preparados para o não-verbal, que é a fala do corpo. Eles tiveram grandes desafios e quase foram até expulsos de comunidades do nativo porque simplesmente não respeitaram a cultura do local. Vamos, enquanto professores de línguas, rever mais o currículo e colocar cultura em sala de aula”, ressalta a palestrante.

O Professor Gonzalo Enrique Abio Vírsida, da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), comenta que as tecnologias já estão no cotidiano das pessoas, “agora o que temos que fazer é saber como aproveitar essas tecnologias, o próprio professor de acordo com as condições de que tipo de estudantes e de que tipo de atividades queira desenvolver. Talvez se você tiver internet em sala de aula e quiser mostrar alguma coisa também poderia utilizar, ou se você não tem essas facilidades, poderia orientar algumas atividades para os alunos fazerem, com dispositivos digitais, como telefone móvel ou computador em outro momento para atividades que tenham que ter acesso à internet ou diretamente sem internet. Depende do que o professor quer fazer, do objetivo da aula que ele tenha um planejamento adequado, para alcançar um resultado esperado e ir contribuindo com os letramentos digitais dos alunos no conhecimento da língua e no funcionamento de determinadas ferramentas, e também de como recuperar informações, processar e compartilhar as novas informações”.

Para a professora da Universidade de São Paulo (USP), Gretel Eres Fernández, “em primeiro lugar, eu considero que a iniciativa do Instituto Federal em promover este evento é sensacional, porque permite que estejam no mesmo espaço discutindo questões muito importantes professores, pesquisadores e estudantes. Essa integração fora do espaço tradicional de sala de aula e esse intercâmbio de informações, para mim é o que constitui o verdadeiro espaço acadêmico e a razão de ser do espaço acadêmico, e não só a sala de aula. Dito isso, o evento em si trouxe muita informação não como algo simplesmente transmitido, mas intercambiado. É outro ponto que a organização está parabéns, porque permitiu que houvesse de fato diálogo entre as diferentes falas dos palestrantes e o público. Às vezes isso não acontece por questões de logística mesmo, de falta de tempo, o que acarreta não haja espaço para debate no final das apresentações. E aqui em todas as apresentações que eu pude assistir houve esse espaço para que o público expressasse seu ponto de vista”.

Sobre o ensino da língua espanhola, a docente da USP parabenizou o estado de Rondônia por ter conseguido aprovação e inclusão do espanhol nas escolas estaduais, passando a ser o segundo estado da federação a ter essa legislação. O primeiro foi a Paraíba.  “Eu tiro meu chapéu para Rondônia como eu já tirei para Paraíba também. O Espanhol precisa desse tipo de iniciativa. Outra coisa que me chamou muita atenção é a qualidade dos trabalhos desenvolvidos aqui. Eu conversei com alunos, com estudantes de pós-graduação e com professores durante esses dois dias e fiquei gratamente surpresa de ver a qualidade dos trabalhos que são feitos em sala de aula e fora de sala de aula. Isso foi possível porque houve tempo e espaço para esses intercâmbios”.

O professor do Instituto Federal do Acre (IFAC), Luiz Eduardo Guedes, apresentou os aplicativos Kahoot, Seesaw e ClassDojo e suas possibilidades no ensino de idiomas. Ele explica que o Kahoot é um aplicativo voltado mais para uma avaliação formal, “não é muito focado na aprendizagem da língua, mas é bem focado na avaliação, para um redirecionamento do curso que está em andamento. Como oferece um feedback imediato para o aluno, ele consegue redirecionar o curso: o que precisa ser reforçado, o que já foi aprendido, de forma que engaje os alunos. Porque é em forma de competição, um quiz, eles precisam pontuar dentro do jogo. Eles se sentem muito engajados, e utilizando algo que eles gostam, que é um celular, computador ou tablet”.

Já o ClassDojo é um aplicativo mais voltado para a questão do comportamento em sala de aula, que consegue fazer um controle do comportamento dos alunos e isso é sincronizado com os pais, através de uma conta que os pais podem criar e obter feedback sobre o aprendizado do filho. “Além de trazer ferramentas para o professor como o cronômetro, sorteios, criação de grupos automaticamente, sem o professor ter que perder tempo em sala cortando papel, fazendo algo mais manual”, diz Luiz Eduardo.  E o Seesaw é um aplicativo de portfólio do aluno para entrega de todas as atividades. Nele o professor pode criar atividades com mídias diferentes, como gravar áudio e vídeo, mandar foto e pode inclusive fazer o upload de alguma foto. “Pode ser trabalhado com qualquer com qualquer disciplina, e o que eu acho mais interessante é essa praticidade do professor em carregar toda a produção do aluno, todo o registro comportamental e toda uma avaliação dentro no celular, de forma digital”, conclui.

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