Projeto avalia impacto do exercício físico na redução de ansiedade e pressão arterial em estudantes residentes do Campus Ariquemes
Iniciativa monitora indicadores de saúde física e mental para atuar na prevenção de doenças crônicas e transtornos mentais.
A prática regular e supervisionada de exercícios físicos tem demonstrado resultados promissores na saúde física e mental dos estudantes residentes do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Rondônia (IFRO), Campus Ariquemes. Um protocolo de pesquisa, iniciado no segundo semestre de 2025 e com nova fase em andamento neste momento, está analisando os desfechos de saúde relacionados à redução da pressão arterial e mitigação de sintomas de ansiedade entre os alunos.
As intervenções ocorrem no Laboratório de Intervenções em Exercício Físico e Saúde LIEFS (Academia) do campus, onde os alunos participam de sessões de exercícios físicos supervisionados três vezes por semana. “Quando comecei a frequentar a academia da escola, eu não tinha muito costume de treinar e senti um pouco de dificuldade nos primeiros dias. Com o tempo, fui me adaptando aos exercícios e me esforçando para melhorar. Aos poucos, percebi que estava ficando mais forte, com mais resistência e executando os exercícios com mais facilidade. Ver essa evolução me motivou a continuar treinando e mostrou que, com dedicação e frequência, é possível alcançar bons resultados”, conta o estudante do 3º ano do curso Técnico em Agropecuária Integrado ao Ensino Médio, José Emerson Martins Toscan.
Coordenador do projeto, o Professor de Educação Física Yuri de Lucas Xavier Martins explica que a pesquisa garante que os alunos participantes continuem colhendo os benefícios da iniciativa a longo prazo. Os estudantes que participaram efetivamente da primeira fase do protocolo, em 2025, mantêm neste ano acesso garantido às práticas de exercício físico no local.
Também do 3º ano do Técnico em Agropecuária, Sthefany Oliveira da Silva, ressalta que a academia tem sido uma experiência muito positiva. “Durante esse período, pude cuidar melhor da minha saúde física, desenvolver meu corpo e, ao mesmo tempo, aliviar o estresse causado pelas atividades do dia a dia. Além dos benefícios físicos, percebi uma melhora significativa na minha saúde mental. A prática dos exercícios me ajudou a controlar a ansiedade, especialmente aquela relacionada aos estudos, proporcionando momentos de bem-estar e descanso para a mente”.
Os dados levantados demonstram os resultados práticos da atividade física na regulação das pressões arteriais e no controle da ansiedade, o projeto consolida o exercício físico como uma estratégia de saúde preventiva indispensável no ambiente escolar e no alojamento estudantil. “As poucas vezes em que me ausentei foram por conta de compromissos acadêmicos, mas sempre procurei manter a frequência e participar das atividades sempre que possível. Ao final dessa experiência, posso afirmar que os resultados compensaram o esforço. Recomendo a prática da musculação para todas as pessoas que tiverem a oportunidade, pois ela contribui não apenas para o condicionamento físico, mas também para a qualidade de vida e o equilíbrio emocional”, observa Sthefany.
Efeitos na saúde
O projeto, focado na prevenção do desenvolvimento de Hipertensão Arterial Sistêmica e possíveis transtornos mentais, tem como objetivo principal investigar parâmetros associados a doenças crônicas não transmissíveis. O público-alvo da pesquisa engloba estudantes residentes do IFRO Campus Ariquemes que atendam aos critérios de inclusão estabelecidos no início do semestre letivo. Os alunos são incentivados a aderir à prática de atividades físicas, de forma que realizam exercícios supervisionados. “As atividades são regulares, três vezes na semana, geralmente segunda, quarta e quinta, só para os residentes, os principais exercícios são exercícios de força, de grandes grupos musculares”, destaca o Coordenador, Yuri Martins.
Conforme o docente, foi possível observar um efeito hipotensor de quem cumpriu a prática de exercícios no ano passado e diminuição de percentual de gordura: “tivemos impactos positivos no Grupo de alunos que fizeram o exercício regular. Como parte dos resultados, informo que houve reduções significativas tanto na pressão arterial sistólica (-6,2%/p=0,002) quanto na diastólica (-,9%/p=0,018). O resultado se torna ainda mais relevante, haja vista que os desistentes apresentaram aumento da pressão diastólica (7,32% /p=0,017), durante o mesmo período. Ademais, o Grupo que completou o exercício apresentou maior estabilidade nos sintomas de ansiedade ao longo do segundo semestre em relação aos desistentes”.
“Apesar dos alunos não serem hipertensos, o exercício pode ser efetivo na proteção para o desenvolvimento da doença”, completa o docente. Ele ressalta haver auxílio institucional de R$ 32 mil para este ano. “Por ser projeto de pesquisa, os participantes tiveram que assinar termos de consentimento, tem que entrar no protocolo e tudo mais. Começou no segundo semestre do ano passado esse protocolo de pesquisa, quando entraram 46 alunos. E do ano passado para cá mais 35 adentraram na pesquisa: 24 foram fazer exercício e 11 ficaram no que chamamos de grupo controle. Por que é importante isso? Esses 11 vão entrar depois, no segundo semestre. No semestre que vem o exercício vai continuar, mas ele vai ser mais para compensação do pessoal do grupo controle, que vai ter oportunidade de estar fazendo exercício também. E, obviamente, vamos continuar atendendo todo mundo que já participou do projeto e terminou ele certinho”, explica.
Na equipe organizadora do projeto, além do Professor Yuri, estão também Hiago Rafael Fernandes do Amaral e Fabrício Marques da Cunha (bolsistas de Iniciação Científica) e Jhenifer Alves da Silva (discente voluntária). Eles planejam nas próximas etapas do projeto a captação de relatos em vídeo dos discentes, documentando qualitativamente as melhorias observadas na rotina e na saúde.
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