Projetos inovadores do IFRO são expostos durante inauguração da Cuidoteca
Uma exposição com projetos inovadores e produtos resultantes de pesquisas educacionais marcou a inauguração da Cuidoteca no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Rondônia (IFRO), Campus Porto Velho Calama. Foram reunidas ações nas áreas de ensino, pesquisa e extensão, com destaque para propostas voltadas à equidade de gênero, sustentabilidade, qualificação profissional e desenvolvimento regional. Os trabalhos procedentes dos dez campi do IFRO foram apresentados a servidores, docentes, diretores e estudantes das unidades contempladas com as cuidotecas, que estiveram presentes durante a solenidade realizada na manhã de 23 de março.
O projeto “Elas Lideram – Protagonismo feminino na educação” chamou atenção ao propor o fortalecimento da presença feminina em espaços de liderança. Por meio da apresentação de banner, a estudante Emanuele Narcizo destacou que, apesar dos avanços sociais, as mulheres ainda ocupam menos cargos de liderança em comparação aos homens. A proposta busca incentivar o protagonismo feminino e promover um ambiente acadêmico mais inclusivo e com maior equidade de gênero.
Na área ambiental, a estudante do Campus Cacoal, Isis Maciel Pinho, apresentou pesquisa sobre os impactos do uso da internet no meio ambiente, com ênfase no consumo de recursos naturais por tecnologias digitais. O estudo investiga, por exemplo, o gasto de água e energia associado ao uso de inteligências artificiais. Segundo ela, a produção de um e-mail ou de um texto de cerca de cem palavras em sistemas de IA pode consumir aproximadamente 500 ml de água, o que, em larga escala, contribui significativamente para a crise ambiental.
Já o Projeto Reúso com Arte trouxe do Campus Vilhena a Oficina de Produção de Velas Aromáticas. A formação ensinou, de forma prática, como produzir velas com segurança e qualidade. Esta é a segunda oportunidade em que o curso foi realizado em Porto Velho, em 2024 reuniu servidores da Reitoria e dos Campi Porto Velho Calama e Zona Norte.
Durante a oficina, os participantes aprendem a perfumar corretamente, diferenciar tipos de parafinas e ceras disponíveis no mercado e entender suas indicações de uso. Também são orientados sobre cuidados essenciais, como riscos do uso doméstico, uso de etiquetas de segurança e escolha adequada de recipientes, sendo o vidro o mais indicado, enquanto materiais como plástico, acrílico e metal devem ser evitados. Além da parte técnica, a atividade também foca no bem-estar. A proposta é oferecer um momento de pausa na rotina, estimulando o autocuidado. A produção da própria vela, aliada às fragrâncias, contribui para relaxamento e sensação de satisfação pessoal.
Projeto detalha cadeia do café robusta
Outro destaque foi o espaço dedicado ao café, com a participação do projeto do curso de Barista, vinculado ao programa Mulheres Mil, desenvolvido no Campus Cacoal. As participantes Alice Pereira dos Santos e Laila Tesch Sena explicaram que o curso capacita mulheres para atuar profissionalmente no preparo e serviço de cafés especiais, abordando desde métodos de extração, como expresso e coado, até a análise sensorial da bebida.
Durante a mostra, as pessoas presentes puderam degustar o café trazido e preparado pelas participantes. Com duração de três meses e oferta gratuita, o curso representa uma oportunidade de inserção no mercado de trabalho, especialmente em cafeterias e empreendimentos do setor.
O Chefe do Departamento de Pesquisa do Campus Cacoal, Rafael Augusto Vaz dos Santos, destacou que a formação faz parte de um conjunto mais amplo de ações voltadas à cadeia produtiva do café. “Trabalhamos o café de forma integrada, envolvendo ensino, pesquisa e extensão. Temos cursos técnicos, formações iniciais e continuadas, além do Centro de Excelência do Café, que vai apoiar produtores com análises de solo e doenças, fortalecendo toda a cadeia produtiva”. Segundo ele, a unidade desenvolve projetos que abrangem desde a produção de mudas e cultivo até o beneficiamento e a qualidade final do produto.
Moradia Rural
A programação também incluiu a apresentação do projeto “Morar+Rural”, coordenado pela Arquiteta Daniela Manoel Pires no Campus Calama. A iniciativa prevê a construção de 250 residências rurais em municípios como Candeias do Jamari, Ariquemes, Machadinho d’Oeste e Vilhena, com perspectiva de expansão para todo o estado. Desenvolvido em parceria com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), o Morar+Rural busca promover melhores condições de moradia em assentamentos rurais, contribuindo para a fixação das famílias no campo e para o desenvolvimento sustentável da região.
Do Campus Ji-Paraná foram apresentados os projetos Casa da Comunidade, com a produção de bonecas artesanais, e o Projeto de Essências Artesanais, com a participação da cursista Adayl Farias Ferreira e a Coordenadora Leiva Custodio Pereira.
No caso de Malvina Alves de Araújo Torres, participante do curso de Cuidador de Idosos, também integrante do Projeto Mulheres Mil, disse que já está exercendo a função de cuidadora. Segundo ela, há uma demanda muito grande de pessoas que a procuram para cuidar de idosos e também para acompanhar pessoas enfermas em hospitais. “O curso tem quatro meses de duração e nesse meio tempo a gente já aprendeu muitas técnicas e podemos exercer essa função”, declarou.
Cartografia Étnica
A Antropóloga Social Roziane Jordão, docente de Língua Portuguesa no Campus Guajará-Mirim, e a estudante indígena Jane Kelly Makurape apresentaram o “Projeto Cartografia Étnica”, um levantamento documental sobre os estudantes indígenas daquela unidade. O estudo faz uma reflexão antropológica sobre o papel do IFRO para as comunidades indígenas. São duas bolsistas indígenas, Jane Kelly Makurape e Melissa Oronao.
A professora explica que o Campus Guajará-Mirim conta com alunos de diversas etnias e há certa dificuldade para a inserção deles na língua portuguesa, uma vez que eles utilizam a língua nativa. Para Roziane, é necessário ter um olhar de acolhimento entre os docentes, para criar uma condição mais facilitada para o aprendizado. Ela também destaca algumas parcerias com indigenistas da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) para tradução, principalmente, de placas indicativas dos departamentos para facilitar o acesso e torná-lo mais inclusivo.
Jane Kelly Makurape disse que ficou muito feliz pelo convite para participar do projeto de cartografia. Ela cursa o segundo ano do Curso Técnico em Informática Integrado ao Ensino Médio e quer estudar Medicina para atuar na aldeia onde morava, distante de Guajará em viagem que dura dois dias de barco.
A exposição de todos os projetos integrou a programação de inauguração da Cuidoteca e apresentou diferentes ações desenvolvidas no IFRO, demonstrando comprometimento com a inovação, inclusão social e desenvolvimento regional, ao articular conhecimento acadêmico com demandas concretas da sociedade.
Meninas RObóticas
Do Campus Porto Velho Zona Norte, o destaque foi a participação das “Meninas RObóticas em ação: engajando e multiplicando o conhecimento em computação”. O projeto desenvolvido no campus incentiva a presença feminina na área de tecnologia e fortalece o protagonismo das estudantes. Foram apresentados projetos desenvolvidos por alunas do Curso Técnico em Informática e da graduação em Sistemas para Internet. Apresentações que evidenciaram o envolvimento, a capacidade técnica e o protagonismo das estudantes.
Para a Professora Ivanilse Calderon, o momento foi importante tanto pela visibilidade das ações quanto pelo impacto na formação das estudantes. “Este é um momento muito importante para que as meninas possam apresentar os trabalhos que vêm desenvolvendo, compartilhar conhecimentos e perceber que pertencem a esse espaço. Essas ações fortalecem a autoconfiança e incentivam outras meninas a ingressarem na área de tecnologia. Além disso, a criação de espaços como as Cuidotecas impacta diretamente na formação profissional das nossas estudantes, especialmente aquelas que são mães, garantindo condições mais justas de permanência e desenvolvimento acadêmico”, destacou.
Márcia Azevedo, acadêmica de Sistemas para Internet e mãe, também ressaltou a importância da iniciativa. “Esse apoio é mais do que importante, ele é necessário. Muitas de nós enfrentamos dificuldades para conciliar os estudos com o cuidado dos filhos. Ter um espaço como a Cuidoteca faz toda a diferença para que possamos continuar estudando e buscando uma formação profissional. Sou muito grata por esse investimento e pela sensibilidade do IFRO em compreender a nossa realidade”, afirmou.
A integração entre políticas de cuidado e ações de incentivo à participação feminina na tecnologia fortalece a permanência das estudantes e amplia suas oportunidades de desenvolvimento. Para os coordenadores do projeto, a presença das Meninas RObóticas na solenidade demonstra que investir em inclusão, equidade e educação é essencial para a construção de um futuro mais justo e com mais oportunidades.
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