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Txai Suruí abre o II Festival de Cultura, Identidade e Educação Ambiental no Campus Calama

Publicado: Segunda, 25 de Mai de 2026, 15h20 | Última atualização em Segunda, 25 de Mai de 2026, 15h29 | Acessos: 135

Roda de conversa Amefricanidade Saberes da Floresta e Bem ViverAmefricanidade é o tema que o II Festival de Cultura, Identidade e Educação Ambiental traz para a reflexão no Campus Calama, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Rondônia (IFRO), no período de 18 a 22 de maio. O conceito, cunhado pela ativista brasileira Lélia Gonzales, busca refletir a experiência histórica compartilhada pelos afrodescendentes e indígenas nas Américas.

Promovido pelo Núcleo de Arte e Cultura (NAC), o festival integrou apresentações musicais, teatro, oficinas, exposições, literatura, dança e mostras de filmes, fortalecendo o diálogo sobre relações étnico-raciais e valorização das culturas afrodescendentes e indígenas nas Américas. Antes da conferência, o artista Ney Mura, integrante do projeto musical Comunidade Manoa, fez uma apresentação musical, seguido do grupo de teatro de dança do IFRO Campus Porto Velho Zona Norte. Estiveram presentes na cerimônia de acolhimento, o Diretor-Geral do Campus Calama, Willians de Paula Pereira; a Pró-Reitora de Extensão, Érica Patrícia Navarro de Souza; o coordenador do NAC, Tiago Lins de Lima; a chefe do Departamento de Extensão, Monnike Rodrigues do Vale; o representante dos povos indígenas, Adriano Karipuna; a representante do Movimento dos Estudantes Indígenas de Rondônia (MEIRO), Rosa Guarasugwe; os representantes indígenas Elivar Karitiana e Nara Migueleno; o representante dos estudantes do IFRO, Tarso Rondon Lira Freitas, além do Reitor do IFRO, Moisés Souza.

A abertura contou com conferência da ativista indígena Txai Suruí, que defendeu a necessidade de reconexão da sociedade com a natureza e criticou práticas ambientais tratadas apenas como discurso político e econômico. Durante sua fala, Txai destacou que não existe preservação ambiental sem justiça social, valorização dos povos originários e demarcação de terras indígenas. Para ela, “o futuro é ancestral”.

Já Tiago Lins, coordenador do evento, destacou o esforço para dar materialidade ao evento e agradeceu a todos os parceiros que se envolveram para tornar essa ação efetiva, reunindo expressões de arte, cultura e reflexão social. Ao longo da programação, lideranças indígenas reforçaram a necessidade de combater o racismo estrutural, o apagamento cultural e a invisibilização dos povos originários, defendendo políticas de inclusão e permanência de estudantes indígenas nas instituições de ensino.

Além da conferência principal, o evento reuniu representantes indígenas e acadêmicos que debateram sustentabilidade, educação e território. O acadêmico indígena Gabriel Karipuna destacou a relação de equilíbrio entre os povos indígenas e a floresta amazônica, enquanto o superintendente estadual dos povos indígenas, Gasodá Suruí, defendeu a educação como ferramenta essencial para enfrentar as emergências climáticas e promover uma convivência mais harmônica com a natureza.

O II Festival de Cultura promoveu vários momentos musicais com artistas da cidade. Para o cantor Ney Mura, “é muito importante trazer essa contribuição para dentro da instituição de ensino que está comprometida em promover debates sobre cultura, identidade e território dentro da formação acadêmica”. Ele também reforça a importância de reconhecer Porto Velho como um território ancestral de diversos povos amazônicos, valorizando a participação da nova geração de alunos e alunas na construção de uma sociedade mais consciente, conectada com sua história e seu território. A banda Samuel Bera Band também se apresentou na abertura do festival. Samuel diz que para conquistar visibilidade, o artista precisa de público, seja presencial ou digital. “Quando o IFRO promove um festival e abre espaço para artistas locais apresentarem seus trabalhos autorais, cria-se uma oportunidade fundamental de divulgação e fortalecimento da cena cultural. Os estudantes assistem, escutam, se identificam, compartilham, indicam para outras pessoas e passam a acompanhar esses artistas nas redes sociais e plataformas de streaming. Esse movimento amplia o alcance da produção musical local, fortalece a circulação da arte autoral e gera cada vez mais reconhecimento e conexão entre artistas e público. É assim que a musicalidade ganha ressonância e passa a ocupar novos espaços”, exemplificou, ao destacar sua nova produção musical, Karipunagem.

A Pró-Reitora de Extensão, Érica Patrícia Navarro de Souza, ressaltou que o festival integra o programa institucional “Cultura Liberta”, iniciativa que utiliza a arte e a cultura como instrumentos de transformação social, pertencimento e emancipação. O Reitor do IFRO, Moisés Souza, destacou a importância da arte e da cultura na construção de uma sociedade mais humana e sensível às questões sociais e ambientais. Conforme ele, eventos como o festival fortalecem a reflexão crítica e ampliam horizontes por meio da arte e do diálogo coletivo.

A programação cultural também teve destaque com apresentações dos artistas Ney Mura, Samuel Bera Band, Sérgio Souto, Marcela Bonfim, Gabriê e Flávio Dutka, além de oficinas e atividades conduzidas por representantes da Escola de Samba Asfaltão. Para os artistas participantes, o festival fortalece a cena cultural local e amplia os espaços de valorização da produção artística amazônica dentro do ambiente acadêmico.

  • Apresentaçao_de_dança_grupo_Zona_Norte
  • Apresentação_de_dança_indígena
  • Exposição_1
  • O_coordenador_do_festival_Tiago_Lins
  • Roda_de_conversa_-_Amefricanidade_Saberes_da_Floresta_e_Bem_Viver
  • Samuel_Bera_Band
  • Telas_do_artista_Flávio_Dutka
  • Txai_Suruí
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