II Intercâmbio dos Povos Tradicionais consolida diálogo e cooperação institucional no Vale do Guaporé
O II Intercâmbio dos Povos Tradicionais da Amazônia – Vale do Guaporé reuniu lideranças, estudantes e instituições no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Rondônia (IFRO), Campus Guajará-Mirim. Realizado no dia 29 de abril, foi um dia dedicado à interculturalidade e ao fortalecimento de parcerias. O evento teve organização do IFRO, do Núcleo de Gestão Integrada do ICMBio Guajará-Mirim (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e da Associação Awanda.
Para a Coordenação Regional da Funai em Guajará-Mirim, o evento consolidou uma rede vital de cooperação. “A iniciativa é um espaço estratégico de escuta ativa que fortalece a governança territorial e valoriza a sociobiodiversidade regional, permitindo que o conhecimento técnico-científico e os saberes ancestrais caminhem juntos na construção de soluções sustentáveis”, destacou a equipe do órgão, ressaltando a importância da parceria com o IFRO e o ICMBio.
A Coordenadora do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi/IFRO/Guajará-Mirim), Mariane Rodrigues Cortes, avaliou a edição como uma experiência desafiadora que exigiu um olhar atento à logística de inclusão. "Promover inclusão exige enfrentamento constante de barreiras. Estruturamos cuidadosamente toda a logística para garantir que o público-alvo pudesse, de fato, participar", afirmou. Entre os pontos altos, Mariane destacou o protagonismo estudantil na oficina de grafismo e a formação "Diálogos sobre estudantes indígenas na Educação Profissional e Tecnológica", voltada a professores.
O protagonismo das lideranças também foi o foco da Associação Awanda. Segundo o Coordenador Jefferson Tupari Macurap, o objetivo central foi a mobilização e a aproximação das comunidades com os órgãos parceiros. "O evento dá esse espaço de visibilidade e interculturalidade. É um lugar onde instituições, órgãos e parceiros aprendem junto com a comunidade. As lideranças saem felizes por serem ouvidas e por conhecerem de perto os objetivos de cada instituição", ressaltou.
Para o Analista Ambiental do ICMBio, Ítallo Rocha Freitas, esta segunda edição evidenciou que a importância das Terras Indígenas e Unidades de Conservação vai além da preservação da natureza. "O intercâmbio fortalece uma coletividade que busca o bem-viver e a sustentabilidade através da valorização dos saberes tradicionais. O aumento no número de parceiros este ano demonstra o potencial do trabalho colaborativo entre o poder público e a sociedade civil", pontuou.
Diversidade na programação
A programação de 2026 foi marcada pela diversidade de ações. Pela manhã, a abertura solene deu lugar a apresentações culturais que reafirmaram as identidades locais. Um dos momentos centrais foi a Mesa de Escuta Ativa, que reuniu representantes de diversos setores do Poder Público e da sociedade civil — abrangendo as áreas jurídica, ambiental, de saúde, assistência técnica e acadêmica. O espaço permitiu que as instituições respondessem a questionamentos da plateia sobre ações efetivas voltadas aos povos tradicionais, consolidando um canal direto de transparência e diálogo.
No período da tarde, as atividades práticas envolveram oficinas de grafismo indígena, exposições de saberes e rodas de conversa sobre os desafios territoriais. No encerramento, ficou reforçado o compromisso institucional de manter o intercâmbio como um canal permanente de diálogo e construção coletiva no Vale do Guaporé.
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