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Campi promovem ações do Abril Indígena com foco em interculturalidade, formação e valorização dos saberes tradicionais

Publicado: Quinta, 07 de Mai de 2026, 17h36 | Última atualização em Quinta, 07 de Mai de 2026, 17h36 | Acessos: 767

Abril IFRO 14O Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Rondônia (IFRO) realizou, ao longo do mês de abril, uma série de ações voltadas à valorização dos povos indígenas e tradicionais, reafirmando seu compromisso com a diversidade cultural, a inclusão social e a educação intercultural. As ações foram coordenadas pelos Neabis (Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas) nos Campi Ji-Paraná, Colorado do Oeste e Guajará-Mirim.

As atividades integraram práticas pedagógicas, ações formativas e momentos de diálogo entre saberes acadêmicos e conhecimentos ancestrais. Em um estado marcado pela riqueza étnica e pela presença significativa de comunidades indígenas, iniciativas como o Abril Indígena ampliam o debate sobre identidade, pertencimento e direitos, aproximando a comunidade acadêmica das realidades socioculturais da Amazônia.

No Campus Guajará-Mirim foi realizado o II Intercâmbio dos Povos Tradicionais da Amazônia – Vale do Guaporé, no dia 29 de abril. O evento reuniu estudantes, servidores, pesquisadores e representantes de comunidades indígenas, ribeirinhas e extrativistas em um espaço de diálogo e compartilhamento de experiências. A programação contou com oficinas de saberes tradicionais, rodas de conversa, mesas temáticas, apresentações culturais e momentos de integração comunitária.

O encontro fortaleceu os vínculos entre a instituição e os territórios tradicionais da região, promovendo o reconhecimento da pluralidade cultural amazônica e ampliando o entendimento sobre as contribuições dos povos originários para a preservação ambiental, para a construção histórica da região e para a produção de conhecimentos.

Como parte das atividades desenvolvidas no campus, também foi realizada uma oficina sobre grafismo indígena, proporcionando aos estudantes contato com elementos simbólicos presentes em diferentes culturas indígenas. A ação possibilitou reflexões sobre identidade, arte, ancestralidade e formas de expressão cultural, contribuindo para o fortalecimento da consciência intercultural no ambiente escolar.

 

Ações educativas e sensibilização

No Campus Colorado do Oeste, o Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi), em parceria com o coletivo Raízes Vivas, promoveu a divulgação de conteúdos educativos por meio de materiais digitais, ampliando o acesso à informação sobre a história, cultura e direitos dos povos indígenas. A programação incluiu ainda palestra sobre a história dos povos indígenas amazônicos e os desafios acadêmicos enfrentados por estudantes indígenas, seguida de apresentações culturais e cine debate, fortalecendo o diálogo e a conscientização na comunidade acadêmica.

A utilização de plataformas digitais e materiais de comunicação contribuiu para expandir o alcance das ações, possibilitando que estudantes, servidores e comunidade externa tivessem acesso a conteúdos educativos e reflexivos. Além de disseminar conhecimento, a iniciativa favoreceu a construção de uma cultura institucional mais consciente e comprometida com o respeito à diversidade.

Além desse material, o Neabi Campus Colorado do Oeste promoveu no dia 17 de abril uma tarde temática com a Palestra “Introdução à História dos Povos Indígenas Amazônicos e as Dificuldades de um Estudante Indígena”, proferida pelo acadêmico do Curso de Engenharia Agronômica, Jony Aguiar Lages, seguida de apresentação cultural com músicas e exposição de produções artísticas realizadas pelos estudantes dos segundos anos do Curso Técnico em Agropecuária Integrado ao Ensino Médio e a exibição do cine debate sobre a obra Xingu.

Jony Aguiar relata que “a apresentação foi de grande importância, tanto para mim enquanto indígena, quanto para os alunos presentes. Muitos estudantes ainda não possuem uma visão clara sobre a história dos povos indígenas no Brasil. Essa falta de informação gera desinformação e dificulta a relação com alunos indígenas, especialmente sobre como se referir a eles e quais abordagens são mais adequadas. Busquei trazer informações sobre a história dos povos indígenas amazônicos, tema pouco conhecido e pouco debatido na instituição. Como o campus possui foco agrário e Rondônia tem uma cultura bastante diversificada e miscigenada, o interesse por esse assunto acaba sendo menor”.

Em relação às dificuldades enfrentadas por estudantes indígenas, destaquei principalmente os desafios financeiros, especialmente para aqueles que vêm de outros estados em busca de melhores oportunidades. Além disso, mencionei as dificuldades de se localizar na cidade e a comunicação com os professores, já que alguns conteúdos acabam ficando superficiais, prejudicando o desempenho acadêmico”, completou o estudante.

As ações alusivas ao Abril Indígena nas unidades do IFRO evidenciam o papel da educação pública na construção de espaços de respeito, reconhecimento e valorização das identidades culturais. Em um estado marcado pela riqueza étnica e pela presença significativa de comunidades indígenas e tradicionais, iniciativas como essas ampliam o debate sobre direitos, pertencimento, memória e diversidade, aproximando a comunidade acadêmica das realidades socioculturais da Amazônia.

 

Inclusão e interculturalidade

Já no Campus Ji-Paraná, o Neabi Jipa promoveu oficina de formação docente voltada à reflexão sobre práticas pedagógicas inclusivas e ao fortalecimento da educação intercultural. A atividade teve como foco sensibilizar professores e profissionais da educação quanto às especificidades socioculturais dos estudantes indígenas, incentivando o desenvolvimento de metodologias de ensino mais acolhedoras, representativas e conectadas às diferentes realidades presentes no ambiente educacional.

A formação também contribuiu para ampliar o debate sobre o papel da escola na valorização das identidades culturais e na superação de preconceitos, destacando a importância de práticas pedagógicas que reconheçam e respeitem a pluralidade de experiências dos estudantes. Ao promover esse diálogo, o campus fortalece o compromisso com uma educação inclusiva, democrática e socialmente responsável.

Na avaliação das equipes, as ações desenvolvidas nos campi reforçam a promoção da equidade, da diversidade e do respeito às identidades culturais. O Abril Indígena consolida-se, assim, como um período de reflexão, aprendizado e reconhecimento da importância dos povos originários para a formação social, histórica e cultural da Amazônia. Mais do que atividades pontuais, essas iniciativas representam estratégias de fortalecimento de uma educação comprometida com os direitos humanos, com a valorização da diversidade étnico-cultural e com a construção de ambientes acadêmicos mais acolhedores e representativos.

A Diretora de Desenvolvimento do Ensino, Marcia Jovani de Oliveira Nunes, ressaltou a importância do Abril Indígena compor as ações de ensino nos campi: “o mês de abril simboliza, no Brasil, a resistência dos povos indígenas e constitui-se como um momento oportuno para ampliar as formas de compreender a nação brasileira a partir da vitalidade cultural, da ancestralidade e do legado civilizatório dos povos originários. Trata-se de um período de celebração, mas também de conscientização e reflexão sobre os direitos desses povos, seu protagonismo na história e os desafios contemporâneos relacionados à demarcação de terras e à garantia de direitos”.

As atividades constituem importantes espaços de diálogo intercultural e formação cidadã, favorecendo a escuta dos saberes ancestrais e valorizando o protagonismo dos povos indígenas na construção de conhecimentos e perspectivas de futuro”, completa a Professora Marcia Jovani. Ao aproximar estudantes, docentes e comunidades tradicionais, o IFRO fortalece sua missão institucional de promover uma educação transformadora, conectada às demandas sociais e às realidades regionais.

As ações do Abril Indígena também contribuem para o enfrentamento de preconceitos e estereótipos, incentivando a construção de relações mais respeitosas e conscientes. O diálogo entre saberes acadêmicos e conhecimentos tradicionais fortalece a formação cidadã e amplia a compreensão sobre a relevância dos povos indígenas na preservação cultural, ambiental e histórica da região amazônica.

Conforme a Chefe do Departamento de Educação Inclusiva e Diversidade, Mônica Apolinário, “parabenizo as coordenações dos NEABIs e as direções-gerais dos campi pelo comprometimento e pela sensibilidade na realização das ações do Abril Indígena. As iniciativas desenvolvidas demonstram o fortalecimento da educação intercultural no IFRO, promovendo o respeito à diversidade, a valorização dos saberes tradicionais e o diálogo entre as comunidades e a instituição. Seguimos avançando na construção de uma educação mais inclusiva, democrática e socialmente referenciada”.

 

Formação em informática básica para comunidades

Como parte das ações que reforçam o compromisso institucional com a inclusão, o Campus Guajará-Mirim também desenvolve o curso “Informática Básica para Iniciantes – Inclusão Digital Indígena”, voltado prioritariamente a estudantes indígenas e membros das comunidades da região. O objetivo é promover a inclusão digital, fortalecendo a autonomia dos participantes no uso das tecnologias da informação e comunicação. O curso atende estudantes indígenas da rede pública e comunidade externa, contribuindo para sua permanência e êxito acadêmico.

Com carga horária de 60 horas e oferta presencial, a formação aborda conteúdos como: Fundamentos da informática e inclusão digital; Uso do sistema operacional e organização de arquivos; Aplicativos essenciais (texto, planilhas e apresentações); e Internet, comunicação digital e segurança online. Além do ensino técnico, a proposta pedagógica considera as especificidades socioculturais dos povos indígenas, promovendo uma formação contextualizada, crítica e alinhada à realidade dos participantes.

A formação também busca superar desafios relacionados ao acesso às tecnologias digitais na região, contribuindo para a ampliação de oportunidades educacionais, sociais e profissionais, além de fortalecer a cidadania digital e o protagonismo dos povos indígenas.

Alinhadas à educação intercultural, as ações desenvolvidas durante o Abril Indígena contribuem na construção de uma educação pública inclusiva, democrática e socialmente responsável. “Ao promover o diálogo entre diferentes saberes e incentivar o respeito à diversidade, a instituição reafirma sua missão de contribuir para a formação cidadã e para o desenvolvimento regional. Mais do que atividades pontuais, essas iniciativas representam estratégias contínuas de valorização dos povos originários, combate ao preconceito e fortalecimento de uma educação comprometida com os direitos humanos e com a diversidade cultural da Amazônia”, finaliza a Professora Mônica.

 

 

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