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Estudantes de Edificações do Campus Calama participam de palestra sobre identidade beiradeira e resistência cultural na Amazônia

Publicado: Terça, 31 de Março de 2026, 10h09 | Última atualização em Terça, 31 de Março de 2026, 10h09 | Acessos: 167

Samuel fala com os alunosOs estudantes dos primeiros anos do Curso Técnico em Edificações Integrado ao Ensino Médio do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Rondônia (IFRO), Campus Porto Velho Calama, participaram, no dia 9 de março, de uma palestra sobre Identidade Beiradeira e Resistência Cultural na Amazônia, ministrada pelo produtor cultural, cantor e educador Samuel Pessoa. A atividade integrou as ações pedagógicas voltadas à formação integral dos estudantes.

O debate foi proposto no âmbito da disciplina Práticas Integradoras, vinculada à área de Desenho Arquitetônico, ministrada pela Professora Regina Célia Morão. De acordo com a docente, a proposta da disciplina é articular diferentes áreas do conhecimento, promovendo a reflexão crítica e o diálogo entre teoria e prática. Segundo Regina, a palestra contribuiu para ampliar a compreensão dos estudantes sobre a história e a cultura amazônica, especialmente no contexto local.

Muitos jovens ainda possuem um conhecimento superficial sobre as origens que nos constituem como povo nortista. Esse momento é fundamental para que possam reconhecer sua identidade, sua ancestralidade e desenvolver um olhar crítico diante das diversas influências culturais que recebem”, destacou. A docente também ressaltou que os alunos vêm sendo estimulados a analisar a cidade sob novas perspectivas, com base em estudos de urbanistas contemporâneos como Jaime Lerner e Jan Gehl. A proposta é que, ao longo do projeto, os estudantes desenvolvam soluções criativas e de baixo custo para intervenções em espaços públicos, como praças, parques e áreas ribeirinhas, considerando a realidade sociocultural da região.

Durante a palestra, Samuel Pessoa apresentou sua trajetória artística e seu trabalho com a música como instrumento de conscientização, valorização cultural e resistência. O artista destacou a importância de ressignificar o termo “beiradeiro”, historicamente utilizado de forma pejorativa, e transformá-lo em símbolo de pertencimento e identidade amazônica.

A abordagem integra o projeto musical Karipunagem, contemplado pelo Edital nº 10/2024/Sejucel/Siec, da Lei Paulo Gustavo. O álbum reúne dez canções interpretadas pela Samuel Bera Band e propõe uma reflexão sobre as cosmovisões e a história dos povos ribeirinhos da Amazônia, evidenciando suas formas de vida e resistência diante de processos históricos de exploração e exclusão.

O artista também contextualizou a origem do termo, relacionando-o à vivência dos povos das margens dos rios e à história de comunidades impactadas por ciclos econômicos e grandes intervenções, como a exploração da borracha e a construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré. Destacou ainda a importância da valorização das raízes familiares, culturais e territoriais na construção da identidade. Ao compartilhar sua experiência, Samuel relembrou sua atuação no Movimento Hip Hop em Porto Velho, iniciado ainda na juventude, contribuindo para a formação de diversos grupos culturais na cidade. A partir desse movimento, desenvolveu uma proposta musical que dialoga com elementos regionais, como ritmos do boi-bumbá, influências afro-brasileiras, quilombolas e expressões da espiritualidade amazônica.

Para a Professora Regina Morão, a atividade proporcionou um momento de reflexão e sensibilização. “Ao contar sua história, Samuel nos provocou a repensar e valorizar a cultura que nos constitui, reforçando a importância da resistência e da valorização das identidades locais”, afirmou. E acrescentou ter sido um momento de conhecimento sobre a diversidade cultural e o reconhecimento das identidades amazônicas no processo formativo dos estudantes.

A estudante Emily Rute Gomes da Silva, de 15 anos, destacou a relevância do tema abordado. “A palestra foi importante para compreender que o termo ‘beradeiro’, muitas vezes usado de forma negativa, representa uma cultura rica e que merece respeito. Isso me fez refletir sobre minha própria identidade e sobre a importância de valorizar as diferentes culturas”, relatou.

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