Projeto Viva Saúde promove roda de conversa sobre Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) em Guajará-Mirim
A Professora Cíntia Aparecida Rodrigues Shiraishi e as estudantes extensionistas Rhawanny Vitória Moreira Pinto e Delaila Wimie Rodrigues Nunes do Curso Técnico em Enfermagem do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Rondônia (IFRO), Campus Guajará-Mirim, realizaram uma roda de conversa sobre Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs): prevenção e tratamento. A ação integra o projeto de extensão "Saúde que Educa", vinculado ao Projeto Viva Saúde. O encontro foi no dia 25 de março, levando informação a servidores e aos que se encontravam na Casa de Apoio da Saúde Indígena (Casai) de Guajará-Mirim para acompanhamento ou tratamento de saúde.
Na fala de abertura do encontro, Alcione de Oliveira dos Santos, Apoiadora Técnica de Saúde Indígena (Casai/DSEI Porto Velho) afirmou que “receber o IFRO aqui na Casai é muito significativo para nós. Os indígenas que estão aqui, muitas vezes longe de suas aldeias e famílias, precisam não só de cuidado clínico, mas também de informação e acolhimento. Uma roda de conversa como essa, que trata de um tema tão importante quanto as ISTs de forma respeitosa e acessível, contribui diretamente para a saúde integral”. Ela ressaltou ainda esperar que essa parceria se fortaleça cada vez mais.
Objetivando educação em saúde, a escolha do tema da roda de conversa se justifica pela importância de garantir que populações em situação de vulnerabilidade tenham acesso a informações claras e acessíveis sobre saúde sexual, contribuindo para a prevenção de doenças e a promoção do autocuidado. Na proposta do "Saúde que Educa" está realizar rodas de conversa semanais — inicialmente voltadas para escolas — levando conhecimento em saúde de forma dialógica e participativa a diferentes públicos. O formato de roda de conversa foi escolhido por favorecer a escuta ativa, o respeito às vivências dos participantes e a troca de saberes, aspectos especialmente relevantes no contexto do atendimento a povos indígenas.
Para as estudantes extensionistas Rhawanny e Delaila, a atividade também cumpre um papel formativo, ao aproximá-las de realidades e públicos diversos, fortalecendo competências técnicas e humanísticas essenciais ao exercício da enfermagem. Ao levar estudantes do Curso Técnico em Enfermagem para atuarem diretamente com comunidades indígenas na Casai, a Professora Cíntia Shiraishi explica que o campus demonstra que a formação oferecida vai além da sala de aula, preparando profissionais tecnicamente competentes e socialmente comprometidos.
“Foi uma experiência muito significativa. Os indígenas participaram ativamente, fizeram perguntas e compartilharam suas próprias vivências. Isso mostra que quando levamos informação de forma respeitosa e acolhedora, ela chega de verdade. O projeto 'Saúde que Educa' nasceu exatamente para isso: construir pontes entre o conhecimento técnico e as necessidades reais das comunidades”, avaliou a docente.
Segundo Rhawanny Vitória, “nunca imaginei que ainda na minha formação teria a oportunidade de atuar com povos indígenas. Foi desafiador e ao mesmo tempo muito enriquecedor. Aprendi que cuidar vai muito além dos procedimentos — passa por escutar, respeitar e adaptar a linguagem para que a informação faça sentido para quem está recebendo”.
Delaila Wimie acrescentou que "sair do campus e ir até as pessoas é o que dá sentido ao que aprendemos. Ver que uma roda de conversa pode gerar tanta troca e reflexão me motivou ainda mais a seguir na enfermagem com esse olhar humano e comprometido com a comunidade".
Saúde que Educa
O projeto de extensão "Saúde que Educa" pretende alcançar diferentes públicos ao longo de suas ações semanais. As atividades são abertas e gratuitas, voltadas para a comunidade em geral, com ênfase em populações que têm menor acesso à informação em saúde.
A Casai (Casa de Saúde do Índio) de Guajará-Mirim é uma unidade de saúde federal administrada pela Sesai (Secretaria Especial de Saúde Indígena), que acolhe indígenas de diversas etnias da região do Vale do Guaporé e arredores, especialmente aqueles que precisam de atendimento médico fora de suas aldeias.
De acordo com a Professora Cíntia Shiraishi, realizar uma ação de educação em saúde nesse espaço representa um gesto de respeito e sensibilidade às especificidades culturais desse público. O tema escolhido para a roda de conversa sobre prevenção e tratamento é de grande relevância epidemiológica, uma vez que as infecções sexualmente transmissíveis figuram entre os principais desafios de saúde pública enfrentados por comunidades indígenas no Brasil, frequentemente agravados pela dificuldade de acesso à informação e aos serviços de saúde.
A iniciativa também está alinhada à Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas e às diretrizes de curricularização da extensão previstas na Lei nº 13.005/2014 (Plano Nacional de Educação), que determinam que ao menos 10% da carga horária dos cursos seja destinada a atividades de extensão universitária — diretriz que o IFRO tem buscado implementar também na educação profissional técnica.
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