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Educação fortalece trajetórias de superação de estudantes no IFRO Calama

Publicado: Segunda, 09 de Março de 2026, 09h36 | Última atualização em Segunda, 09 de Março de 2026, 09h36 | Acessos: 402

Isabelle AndradeNo mês de março, período em que se intensificam as reflexões sobre o papel das mulheres na sociedade, histórias de perseverança e determinação ganham ainda mais significado. No Campus Porto Velho Calama do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Rondônia (IFRO), duas estudantes simbolizam como a educação pode se tornar uma ferramenta poderosa para enfrentar desafios cotidianos e construir novos caminhos de vida.

Aline Pereira dos Santos, de 22 anos, e Isabelle Andrade, de 18, compartilham trajetórias diferentes, mas marcadas pela mesma disposição de seguir estudando apesar das dificuldades.

Aline é estudante do curso superior de Análise e Desenvolvimento de Sistemas e convive desde o nascimento com deficiência visual. Mesmo diante das limitações impostas pela falta de acessibilidade em muitos ambientes e ferramentas digitais, ela construiu uma relação forte com o conhecimento e com a leitura.

Apaixonada por ficção científica, comédia e também pela leitura da Bíblia, Aline aprendeu a ler por meio do sistema Braille — método baseado em pontos em relevo que permite a leitura por pessoas cegas ou com baixa visão. Filha única, ela estudou o ensino fundamental em escola estadual e concluiu o ensino médio na rede pública antes de ingressar no IFRO, em 2024.

A decisão de procurar o instituto surgiu após uma indicação de uma amiga de sua mãe, que informou sobre o atendimento especializado oferecido pela instituição. Para frequentar as aulas no período noturno, a estudante conta com o apoio da mãe, que a leva diariamente de motocicleta até o campus.

No IFRO, Aline recebe acompanhamento do Núcleo de Atendimento a Pessoas com Necessidades Educacionais Especiais (Napne), além do suporte da audiodescritora Karen Rack. Segundo a estudante, o apoio recebido tem sido fundamental para sua permanência e desenvolvimento no curso.

Aprendi a ler, escrever, usar o celular e o computador. Para muitas pessoas isso pode parecer simples, mas para mim é uma grande conquista”, afirma.

Aline Pereira dos SantosAlém dos estudos, Aline também realiza estágio no Departamento Estadual de Trânsito (Detran). No local, ela tem se dedicado a um tema que considera essencial: a acessibilidade digital.

Atualmente, a estudante participa de iniciativas voltadas à melhoria da acessibilidade do site do órgão, apontando dificuldades encontradas por pessoas com deficiência visual no uso de plataformas digitais. “Tem muitos sistemas que ainda não são acessíveis. Eu quero ajudar a melhorar isso”, explica.

Para o futuro, Aline pretende continuar se especializando na área de programação e desenvolver aplicativos e jogos voltados para pessoas com deficiência visual, um campo que, segundo ela, ainda possui poucas opções disponíveis. “Quero criar aplicativos acessíveis. Ainda tem muito pouco para pessoas com deficiência visual”, diz.

Se a trajetória de Aline é marcada pela luta por acessibilidade, a rotina de Isabelle Andrade revela outro tipo de desafio: conciliar a maternidade com os estudos.

Aos 18 anos, Isabelle cursa o terceiro ano do ensino médio integrado em Química no IFRO e também trabalha como jovem aprendiz na empresa Cargill. A estudante é mãe de Jonathan, de um ano e onze meses.

A rotina começa cedo. Pela manhã, ela segue para o trabalho utilizando o transporte disponibilizado pela empresa e, no período da tarde, frequenta as aulas no campus.

A maior parte do cuidado diário com o filho conta com o apoio da avó paterna, que assumiu um papel fundamental para que Isabelle pudesse continuar estudando. “Ela me ajudou desde a gestação e sempre disse que, se eu quisesse continuar estudando, ela estaria comigo”, relata.

Mesmo com a rotina intensa, Isabelle afirma que não cogitou abandonar os estudos. “É puxado, mas eu não desisti. Quero terminar o ensino médio e depois fazer faculdade”, diz.

Entre os sonhos profissionais, ela considera seguir carreira em Engenharia Química ou Medicina.

O tempo com o filho acontece principalmente à noite, quando retorna para casa após as aulas. “Quando chego é só para ele: brincar, dar janta, fazer dormir. O tempo que sobra do dia é dele”, conta.

Nos fins de semana, a prioridade é dedicar tempo à família, com passeios e momentos de convivência com o filho e o companheiro.

Para Isabelle, tornar-se mãe trouxe também um novo senso de responsabilidade e motivação para continuar estudando. “Ser mãe não é um atraso na vida. É difícil, mas a gente precisa investir no futuro, por nós e pelos nossos filhos”, afirma.

Assim como Aline, Isabelle também deixa uma mensagem para outras jovens estudantes. “Não desistam do futuro de vocês. É difícil, mas vale a pena.”

As histórias das duas estudantes mostram que, por trás das salas de aula, existem trajetórias marcadas por desafios, apoio familiar, persistência e sonhos. No cotidiano do Campus Calama, elas representam exemplos de como a educação pode abrir caminhos e fortalecer a autonomia de mulheres que seguem, diariamente, na construção de seus projetos de vida.

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