IFRO avança na interiorização da popularização da ciência em Rondônia
Atividades foram realizadas na Comunidade Quilombola do Forte, em Costa Marques, durante o feriado de Carnaval
O Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Rondônia (IFRO), por meio da Pró-Reitoria de Pesquisa, Inovação e Pós-Graduação (Propesp), com a colaboração dos Departamentos de Pesquisa dos campi, realizou entre os dias 15 e 20 de fevereiro de 2026 uma série de atividades de popularização da ciência na Comunidade Quilombola do Forte, no município de Costa Marques, no Vale do Guaporé. A iniciativa integra o projeto “Currículo Azul: educação e popularização da Ciência para a Promoção da Justiça Climática nos Territórios da Cidadania e Territórios Rurais de Identidade de Rondônia/BR”, aprovado na Chamada Pop Ciência CNPq/MCTI nº 11/2025, vinculada à 22ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT 2025).
A Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), que acontece nos campi do IFRO todos os anos, no mês de outubro, e se estende pelos meses seguintes junto ao público externo, incluindo comunidades ribeirinhas, indígenas e quilombolas tem impulsionado essas ações. Nesse modelo, municípios como Nova Mamoré, Rolim de Moura, Novo Horizonte do Oeste e Costa Marques já receberam ações do projeto.
De acordo com o professor Felipe Henrique da Silva Santos, coordenador de Pesquisa e Extensão do Campus São Miguel do Guaporé, a SNCT representa uma oportunidade estratégica para ampliar o alcance das ações científicas da instituição.
“Para nós, gestores de pesquisa, a SNCT é uma oportunidade muito especial de popularização da ciência, porque nos permite ir além de nossos campi e chegar em comunidades de difícil acesso. Nela, não só ensinamos, como também aprendemos muito”, destacou.
Atividades com a Comunidade Quilombola do Forte
Durante a programação realizada na sede da Associação Quilombola do Forte e em áreas próximas, no feriado de Carnaval, foram desenvolvidas oito atividades formativas e educativas voltadas à ciência, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico da região.
Entre as ações realizadas estiveram:
- Minicurso “Introdução à Aerofotogrametria com drones”;
- Roda de conversa “Rios e Mares: conservação dos recursos hídricos para o enfrentamento das mudanças climáticas”;
- Visita guiada ao Real Forte Príncipe da Beira;
- Trilha ecológica;
- Palestra “História e Patrimônio: desafios da conservação do Real Forte Príncipe da Beira”;
- Oficina de produção de geotintas (teoria e prática);
- Oficina “Princípio da Construção Coletiva/Mutirão”; e
- Oficina “Briefing para reforma da sede da Associação Quilombola do Forte”.
A ação da Pró-Reitoria também envolve a possibilidade de que outros projetos do IFRO cheguem às comunidades mais afastadas. É o caso das três oficinas realizadas que estão vinculadas ao projeto Canteiro Modelo de Conservação, resultado de parceria entre o IFRO e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), e que contaram com apoio do projeto da SNCT 2025.
Segundo o professor Willian Kennedy, do Campus Vilhena, a metodologia adotada pela Propesp tem fortalecido o diálogo entre ciência e comunidades. “A Propesp tem desenvolvido uma metodologia muito boa de interação com as comunidades, realizando a difusão de conhecimentos científicos de modo sensível e atento às demandas do território. Como se diz: saindo da zona de conforto”, afirmou.
Kennedy ressaltou ainda a atuação de alguns docentes na realização do evento: “Quero parabenizar a professora Xênia e a sua equipe pelo projeto, bem como agradecer a oportunidade de participar dessas atividades. Quero também agradecer ao professor Reginaldo, ao professor Mauro e à professora Maísa pelas excelentes formações que ministraram para nós”, reforçou.
Participação e impactos
As atividades reuniram cerca de 40 participantes, incluindo servidores do IFRO dos Campi Vilhena, Cacoal, São Miguel do Guaporé e Calama, estudantes do Mestrado Profissional em Ensino de Geografia (PROFGEO/IFRO), doutorandos em Geografia da Universidade Federal de Rondônia (UNIR), além de integrantes das comunidades quilombola e indígena da região.
Para o acadêmico Edenilson Silva do Nascimento, estudante do PROFGEO, a experiência representou um momento importante de aprendizado e troca de conhecimentos. “Foi muito gratificante participar de mais esta etapa do projeto Currículo Azul. Estendo os agradecimentos ao Reitor do IFRO e a todos os servidores desta instituição, pelos trabalhos que vocês têm desenvolvido com a comunidade deste Quilombo e por tantos outros projetos maravilhosos espalhados em nosso Estado. Agradeço também aos meus companheiros do curso de mestrado, por partilharmos momentos de grande aprendizado”, relatou.
A presidente da Associação Quilombola do Forte, Dona Lulu, também destacou a importância da presença da instituição na comunidade. “Sou grata pela visita e por todo o conhecimento que os professores do IFRO compartilharam conosco. Nossas portas estarão sempre abertas”, afirmou.
A Pró-Reitora de Pesquisa, Inovação e Pós-Graduação do IFRO, Xênia de Castro Barbosa, ressaltou o trabalho coletivo realizado durante a atividade. “Foram dias de trabalho intenso, com debates, formação técnica e atividades práticas. O mais importante foi o espírito de cooperação entre todos os participantes, que permitiu a conclusão das atividades com êxito”, destacou.
Em sua fala, a Pró-Reitora ressaltou a importância do financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e destacou a contribuição dos servidores Reginaldo Martins, Graziela Tejas, Mauro Demício e Tiago Lins, que atuaram para a realização do projeto. “Eles foram incansáveis desde a fase de planejamento. Agradeço também aos colegas de Vilhena e São Miguel do Guaporé, que vieram somar conosco, aos meus queridos alunos do PROFGEO e a toda a comunidade quilombola do Forte, que nos recebeu com tanto carinho. Foram dias de trabalho intenso (enquanto as pessoas estavam pulando o Carnaval, nós estávamos aqui trabalhando sob um calor abrasivo). Abordamos temas complexos, debatemos ideias, manuseamos softwares e equipamentos que a maioria nunca tinha visto — colocamos a mão na massa, literalmente — e o mais importante: nos ajudamos mutuamente. Com isso, todos conseguiram concluir as atividades com êxito. A sensação é de missão cumprida, ao menos no que diz respeito a essa segunda fase do projeto — pois ainda temos a Expedição Barco da Ciência para realizar”.
Ciência como direito social
Para o Reitor do IFRO, Moisés José Rosa, a iniciativa põe luz a um dos braços institucionais da instituição: a promoção da pesquisa e a democratização do conhecimento científico. “A Ciência não pode ser um conhecimento restrito e indecifrável, ao qual apenas alguns poucos iniciados têm acesso. Ela deve ser um direito de todas as pessoas, e o IFRO é uma instituição comprometida com a sua produção e difusão. Nós, sob a orquestração da Pró-Reitoria de Pesquisa, fazemos ciência e popularização da ciência o ano todo (até no Carnaval!) e, modéstia à parte, temos feito isso melhor a cada ano. Neste ensejo, parabenizo a equipe da Propesp e as equipes dos Departamentos de pesquisa pela condução desse trabalho tão importante e necessário”, afirmou.
O Reitor também informou que a instituição trabalha na busca de recursos para a implantação do programa POP Ciência Rondônia, iniciativa que pretende fortalecer ainda mais as ações de popularização da ciência no estado.
Como próxima etapa do projeto Currículo Azul, está prevista a realização da Expedição Barco da Ciência, atividade que deverá ocorrer nos próximos meses, após a definição logística para contratação da embarcação. A expectativa é concluir essa etapa e a prestação de contas do projeto ainda no mês de março, permitindo que o IFRO participe novamente da chamada pública deste ano.
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