Projeto “Mulher de Fibra” fortalece protagonismo de mulheres Ikolen Gavião por meio da produção de biojoias
O Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Rondônia (IFRO), Campus Ji-Paraná, desenvolve desde julho de 2025 o projeto “Mulher de Fibra – Biojoias, saberes ancestrais e o protagonismo das mulheres Ikolen Gavião”, em parceria com a comunidade indígena da Terra Indígena Igarapé Lourdes, no município de Ji-Paraná. A iniciativa envolve 50 mulheres indígenas e segue até fevereiro de 2026, com foco no fortalecimento cultural, produtivo e econômico das participantes.
O projeto tem como objetivo valorizar os saberes ancestrais do povo Ikolen Gavião, por meio do aperfeiçoamento das práticas tradicionais de produção de biojoias a partir de sementes da floresta. As ações buscam promover a transmissão intergeracional de conhecimentos, ampliar a autonomia econômica das mulheres e reconhecer o protagonismo feminino indígena como elemento central na preservação cultural e no desenvolvimento comunitário.
As atividades formativas ocorrem no próprio território indígena e abrangem todas as etapas do processo produtivo, desde a coleta sustentável das sementes, passando pelo tratamento e beneficiamento, até a fabricação, exposição e comercialização das peças. A formação é conduzida pela mestra do saber indígena Olinda Gavião, que domina as técnicas tradicionais e compartilha o conhecimento com as mulheres mais jovens, em diálogo com contribuições técnicas do IFRO.
A abordagem adotada é intercultural, respeitando os tempos, os modos de vida, a organização social e a cosmologia do povo Ikolen Gavião. Jovens e adultas participam juntas do processo formativo, fortalecendo o aprendizado coletivo e garantindo a continuidade das práticas tradicionais. Além do artesanato, o projeto inclui a aprendizagem de técnicas de pigmentação de sementes e o uso de equipamentos para lixamento, corte e polimento, ampliando a durabilidade e a qualidade dos produtos.
Para a Coordenadora pedagógica do curso em Ji-Paraná, Mônica Apolinário, a iniciativa tem impacto direto na vida das participantes. “Formar mulheres indígenas é fortalecer a geração de renda com identidade, promover a sustentabilidade a partir dos saberes ancestrais e garantir a permanência dos povos em seus territórios, onde cultura, floresta e vida seguem entrelaçadas”, afirma.
Ao priorizar mulheres indígenas, grupo historicamente marginalizado na educação formal e no mercado de trabalho, o projeto elimina barreiras geográficas, linguísticas e culturais ao realizar a formação no território. A geração de renda a partir dos recursos locais, de forma sustentável, contribui para a autonomia econômica das mulheres, fortalece sua capacidade de decisão na comunidade e reduz pressões externas sobre o território.
A participação de diferentes gerações tem se mostrado um dos pontos centrais da iniciativa. A presença de jovens ao lado das mestras artesãs assegura a transmissão dos saberes e reforça a identidade cultural do povo Ikolen Gavião. As participantes relatam fortalecimento da autoestima, maior segurança técnica e valorização de seus conhecimentos tradicionais.
Com potencial de continuidade, o projeto prevê a formação de multiplicadoras, o fortalecimento de associações locais e a inserção das biojoias em circuitos solidários e institucionais de comercialização. Ancorada em saberes locais, recursos naturais renováveis e organização comunitária, a ação envolve educação profissional e tecnológica intercultural, socialmente referenciada e comprometida com a inclusão, a diversidade e o respeito aos povos indígenas em Rondônia.
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