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Produção de hortaliças do Campus Cacoal é utilizada na alimentação dos alunos

Publicado: Sexta, 14 de Julho de 2017, 17h57 | Última atualização em Sexta, 14 de Julho de 2017, 18h26 | Acessos: 890

 

COLHEITA

UEPEs são mantidas com bases agroecológicas e diversas culturas em hortaliças e tubérculos

Em 2016 o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Rondônia (IFRO), Campus Cacoal, iniciou as atividades de seu terceiro curso Técnico Integrado ao Ensino Médio, o de Informática. A oferta trouxe às classes da unidade 160 novos alunos e prevê a entrada de outros 80 novos estudantes em 2018.

“Este é um número que muito nos anima, pois significa que o Instituto tem alcançado sua finalidade em oferecer uma educação pública e gratuita que seja atrativa à população. Ao mesmo tempo, ele nos traz a responsabilidade de planejar de maneira eficiente nossos recursos, para garantir a qualidade desse ensino”, destaca o Diretor de Planejamento e Administração do Campus, professor Edmilson de Brito.

E as projeções financeiras a que o administrador se refere passam também pelo abastecimento da cozinha do campus. Nela, um time de cozinheiras prepara diariamente o alimento que será servido no almoço para todos os estudantes do Ensino Médio, sob a supervisão da nutricionista Fernanda Goelzer. A tendência é que em 2018 o IFRO em Cacoal tenha uma média de 500 alunos apenas nesta modalidade de ensino.

UEPEs

Diante desta necessidade, uma das alternativas encontradas pelo Campus Cacoal para suprir parte da demanda em alimentos foi incluir as Unidades de Ensino, Pesquisa e Extensão (UEPE) no grupo de fornecedores da cozinha. “É preciso esclarecer que a finalidade primordial da UEPE não é produtiva, mas sim propiciar aos alunos um contato prático com o conteúdo visto em sala de aula nas disciplinas técnicas de Agropecuária e Agroecologia”, explica o chefe do Departamento de Integração Ensino, Pesquisa e Extensão (DIEPE), Dierlei dos Santos.

Para isso, as UEPEs são divididas em três grupos principais: olericultura, culturas anuais e culturas perenes. “Hoje dispensamos uma área de 8,887m² para a produção de hortaliças e tubérculos, que chamamos de olericultura. Esse plantio é usado para as aulas e o estágio dos alunos, mas o dinheiro investido em sementes e outros itens não pode ser perdido. Por isso encaminhamos toda a produção para a cozinha, onde os alimentos são utilizados para as refeições”, complementa Dierlei dos Santos.

Nutricionista do campus e responsável por preparar o cardápio que será servido todos os dias, Fernanda explica que contar com uma unidade produtiva dentro do Instituto favorece seu trabalho em vários aspectos. “Há a vantagem de poder acompanhar a produção e inclusive sugerir demandas específicas. Além disso, facilita a logística de armazenamento, já que posso solicitar os alimentos direto da horta. Isso aumenta a qualidade da refeição, porque eles vêm mais frescos e têm base agroecológica no processo produtivo”.

Base de Cultivo

A base agroecológica de produção gera os cobiçados produtos orgânicos, comercializados a peso de ouro em muitas bancas e supermercados do Brasil. Estudante do Técnico Integrado em Agroecologia e estagiária na UEPE de Olericultura, Amanda Pavin explica que o modelo do cultivo é que supervaloriza a hortaliça ou o tubérculo produzido neste padrão de plantio.

“A grande vantagem é que existe uma menor agressão ao solo e à planta. Você busca o equilíbrio desse ambiente, reutilizando resíduos para a produção de compostos orgânicos que serão aplicados nos canteiros, por exemplo. Essa e outras iniciativas fazem com que o produto tenha mais qualidade e seja mais desejado pelas pessoas”, teoriza Amanda.

O chefe do DIEPE frisa, no entanto, que é necessário entender o uso do termo “mais qualidade” corretamente. “Particularmente, considero que existem muitas falácias quando se fala de alimentos orgânicos e uma delas é dizer que o tomate orgânico, por exemplo, é mais saboroso que o tomate de um cultivo tradicional. A qualidade aqui é a do modelo produtivo, que garante maior equilíbrio e preservação do meio ambiente, especialmente em uma região amazônica como a que estamos”.

Defensivos

Outra informação equivocada, segundo Santos, está relacionada ao não uso de defensivos agrícolas nas unidades de produção que utilizam base agroecológica. “Em uma região tropical o número de pragas e doenças que atingem os cultivos é maior e isso faz com que, eventualmente, seja necessário o uso de defensivos. A diferença é que ele, se necessário, será feito respeitando todas as normas de limites e períodos de aplicação. Mas o ideal é que não sejam utilizados e que a adoção de estratégias de cultivo seja suficiente para proteger a lavoura”.

Uma das estratégias a que ele se refere pode ser a diversificação de culturas cultivadas numa mesma propriedade. Heleno Silva é Técnico em Agropecuária do Campus Cacoal e um dos responsáveis pela olericultura da unidade. Ele explica que hoje existem mais de 20 tipos de hortaliças e tubérculos sendo produzidos nesta UEPE. “Essa variedade pode confundir o inseto e isso torna nossa unidade mais resistente às pragas, favorecendo o desenvolvimento natural dos alimentos”.

E a variedade produtiva também gera efeitos positivos no prato dos alunos que almoçam todos os dias no IFRO, gratuitamente. “Não é fácil agradar as pessoas quando o assunto é alimentação, mas com a diversidade de itens cultivados aqui no campus temos condições de oferecer uma maior opção no cardápio e isso faz com que a maioria dos alunos coma pelo menos um tipo de legume ou verdura todos os dias”, atesta Fernanda.

Para Amanda, aluna do campus, o crescimento do modelo de produção com base agroecológica também pode gerar um benefício social, que extrapola as fronteiras do IFRO. “Acho que esse jeito de cultivar tem capacidade de produzir alimentos para todo mundo, com a vantagem de proteger o meio ambiente neste processo. Ou seja, além de colocar comida à mesa cuida do planeta onde vivemos”, sugere a estudante.

Jhenifer Nascimento também é aluna do IFRO e estagiária na UEPE de olericultura. Além de auxiliar no processo do cultivo ela se alimenta do que plantou no campo e diz que a sensação é muito boa. “A gente sente mais segurança ao comer, porque sabe exatamente de onde veio o alimento e de como ele foi produzido. Além disso, dá certo orgulho! Eu vejo o seu Heleno (sic) feliz com o tamanho da couve-flor, das verduras, e isso me contagia também”.

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