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Política de Capacitação dos servidores fortalece ações institucionais

Publicado: Terça, 13 de Agosto de 2019, 12h23 | Última atualização em Quarta, 14 de Agosto de 2019, 16h36 | Acessos: 336

LaboratórioA formação continuada dos servidores do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Rondônia (IFRO) vem resultando em ganhos significativos para a instituição e a sociedade. Com o avanço da titulação de seu quadro de pessoal, foi implantado em 2018 o primeiro mestrado, havendo ainda avanços para as demais áreas institucionais. A política de afastamento segue a Resolução 53/2015 do Conselho Superior (CONSUP/IFRO). Em 2019, até o final do ano, deverão ser 203 servidores beneficiados para qualificação em programas de mestrado e doutorado, dentro de um quadro total de 1,2 mil profissionais.

Conforme o Reitor do IFRO, Uberlando Tiburtino Leite, o ganho acontece quando o servidor retorna e começa a produzir, o que tem aumentado o número de projetos de pesquisa e de extensão, bem como eleva a cada ano a produção científica e técnica dos servidores e a oferta de cursos também se beneficia da qualificação do quadro de pessoal. “Já temos o mestrado ProfEPT no Campus Porto Velho Calama, que é em rede, mas com boa parte dos nossos servidores participando das atividades docentes. E iremos iniciar um segundo mestrado. São resultados que começamos a perceber, além da qualificação do trabalho do Instituto Federal nos cursos que já eram ofertados. Nós temos hoje uma redução de forma significativa na evasão escolar. Saímos de mais de 40% para pouco mais de 10% anual. Nós tivemos um aumento da eficiência acadêmica e um resultado bastante significativo de projetos de ensino, que antes não existiam no IFRO, e nós já temos ações de ensino para inclusão educacional e outros”.

Apoiado na Política de Capacitação dos servidores, bem como no Programa de Pós-Graduação da instituição e no Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI), que prevê a oferta de cursos de graduação e pós-graduação lato e stricto sensu, o IFRO tem investido na formação continuada dos seus servidores. Para o servidor Tiago Lins de Lima, que concluiu o Mestrado em Geografia na Universidade Federal de Rondônia (UNIR) em 2017, a política de afastamento faz toda diferença na vida de quem cursa mestrado ou doutorado.

“Eu pude ter um tempo dedicado à participação de eventos, congressos, seminários de âmbito nacional e internacional, pude fazer uma viagem para apresentar trabalho na Colômbia. Com mais tempo nós também conseguimos melhorar a qualidade do produto, do trabalho que vamos entregar na investigação”, afirma Tiago. Dessa maneira, ele acredita que potencializa “a contribuição que podemos dar para a sociedade. A devolução é uma obrigação do estudante de pós-graduação enquanto pesquisador durante a construção do seu trabalho. Quando você pesquisa, não faz somente pela vontade de ter o título, mas de desenvolver conhecimento científico e de entregar algo para a comunidade”.

A Professora Maria Rita Berto de Oliveira está atualmente afastada para cursar o Doutorado em Estudos Literários na Universidade Estadual do Mato Grosso (Unemat), Campus Tangará da Serra, fato que diz ser de primordial importância. Ela também ressalta a periodicidade de lançamento dos editais de seleção, com os critérios justos que servem como isonomia e motivação ao servidor. “Tenho que viajar constantemente para Cuiabá. Sem o afastamento seria impossível. Desde 2013, quando fiz o Mestrado em Letras na Unir, aguardava que abrisse doutorado na área. Seis anos depois consegui a aprovação na UNEMAT. Tem os gastos, mas ter o benefício do afastamento ajuda demais. Fiz mestrado dando aula e foi bem difícil, porque há um nível grande de adoecimento quando se faz o curso trabalhando”, conta Maria Rita. 

A Psicóloga Clara Miranda dos Santos afirma que o período de afastamento está proporcionado qualidade de vida, possibilidade de explorar potenciais acadêmicos e melhores expectativas profissionais, devido à possibilidade futura de devolução institucional do benefício recebido. “Particularmente, é uma sensação de mais tranquilidade você poder estudar e se dedicar integralmente aos seus estudos e progredir profissionalmente. E como pessoa, isso te dá uma tranquilidade muito grande no sentido de não ter que se preocupar com questões de trabalho, com vida pessoal e social, estudos, fica mais direcionado para a pesquisa”, afirma.

Outro ponto que Clara Santos recorda é o orgulho institucional e a sensação de direitos iguais. “Primeiro que essa política não é implantada em todos os órgãos públicos ou institutos. Como a política do IFRO traz uma regulamentação e, com isso, mais transparência para o processo, nós nos sentimos mais seguros e mais felizes por existir essa política na nossa instituição”, expõe a servidora.

Em 2015 eram 204 servidores com mestrado e em 2019 o número chegou a 403 mestres, bem como aumentou o número de doutores, saindo de 21 em 2015 para 95 em 2019. É considerada pelo Reitor a mais importante política adotada pelo IFRO, tendo em vista que qualifica o quadro de pessoal para que se possa incrementar as ações que já são desenvolvidas e possibilitar ampliar as ações, principalmente, na área de pesquisa e de pós-graduação. “Se pegarmos os números de 2015 para 2019 praticamente mais que duplicou o número de mestres e mais que quadruplicou o número de doutores. Isso é muito positivo, esse é o investimento que você não percebe de imediato, porque além do tempo de formação dos servidores, tem o ganho com esse servidor público que não se percebe de imediato”, mensura Uberlando Leite.

Pós-graduação

A Coordenadora de Pós-Graduação (PROPESP/IFRO), Michele Noé, contabiliza os números de possibilidades abertas aos servidores. Ao todo, há previsão de investimento em 2019 em torno de R$ 942 mil.

Uma terceira turma irá iniciar o Mestrado em Assessoria em Administração, fruto da parceria entre o Instituto Politécnico do Porto (IPP), em Portugal, IFRO e o Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS).

Junto com a Fundação Universidade Federal de Rondônia (UNIR) está em andamento a parceria no Programa de Pós-Graduação em Educação Escolar (PPGEEProf), em que a terceira turma Mestrado Profissional (PPGEE/MEPE) está em fase de finalização, chegando a 74 dissertação defendidas até final de 2019. O Termo de Cooperação Técnico-Científica foi assinado entre as duas instituições em novembro de 2013, para seleção e início da primeira turma. A seleção da quarta turma, em que mais 25 alunos serão selecionados, está em andamento.  Neste ano a novidade foi a abertura de vagas para a primeira turma do Doutorado Profissional em Educação Escolar, com dez vagas disponibilizadas. E está prevista uma nova turma, pactuada para o próximo ano.

Pela parceria com a Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, Campus de Marília, foram selecionados 20 servidores para o Doutorado Interinstitucional (DINTER) em Educação. Os doutorandos contam com custeio de capacitação de qualificação e afastamento parcial para as atividades. O projeto foi submetido e aprovado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) em 2017.

E existem outros três programas Dinter em andamento: Unesp/Marília/Doutorado em Educação, UFRJ/Química em Produtos Naturais e Unesp/Ilha Solteira/Doutorado em Agronomia. Entre os benefícios estão previstos 12 meses de afastamento no Dinter. Os alunos ainda recebem auxílio financeiro para atividades fora de seu município (aulas, orientação, qualificação, defesa, participação em eventos). A bolsa da CAPES é destinada aos docentes e os técnicos contam com auxílio financeiro advindos do próprio IFRO.

Há ainda parcerias com o Instituto de Pesquisas em Energéticas Nucleares/Universidade de São Paulo (IPEN/USP), no Mestrado e Doutorado em Tecnologia Nuclear. Já no Mestrado Profissional em Ciência da Computação/UFPE/SETEC estão dois servidores e outros cinco concluíram.

Há mais três alunos no Doutorado do Programa de Pós-Graduação em Educação em Ciências e Matemática via REAMEC (Rede Amazônica de Educação em Ciências e Matemática). E ainda aguarda-se a aprovação via CAPES do segundo mestrado profissional do IFRO, o ProfNIT (Programa de Pós-Graduação em Propriedade Intelectual e Transferência de Tecnologia para a Inovação). A ampliação da formação acadêmica para servidores tem sido uma das frentes de trabalho da Coordenação de Pós-Graduação na busca por programas que venham contemplar áreas ainda não atendidas nas parcerias já firmadas. A Coordenadora Michele Noé explica haver discussões com mais duas instituições para novas ofertas de mestrado e doutorado institucional (Minter e Dinter).

O Mestrado Profissional em Educação Profissional e Tecnológica, ofertado pelo Programa de Pós-Graduação em Educação Profissional e Tecnológica (ProfEPT), abriu neste ano outras 22 vagas em Rondônia, das quais 11 vagas são destinadas aos servidores da Rede Federal. Em 2018, na primeira turma, 11 vagas foram preenchidas por servidores da Rede. 

A Professora de Artes no Campus Colorado do Oeste, Paola Teles Maeda, foi aprovada no ProfEPT 2019. “As vagas para os servidores públicos federais são muito importantes para nós que moramos no interior por conta da escassez de cursos de capacitação. Aqui no Conesul de Rondônia é muito difícil ter curso de qualificação e capacitação, mesmo que não seja pelo IFRO. E essa vaga trouxe a possibilidade de qualificação. Mesmo percorrendo 700 quilômetros e 14 horas de viagem, esperamos uma melhoria considerável na nossa qualificação profissional e para melhor atender ao público”, fala Paola. Para a docente, outra vantagem foi a redução da sua carga horária, que irá contribuir com o tempo de dedicação aos estudos.

Desafios

“O Instituto é uma instituição jovem e que tem poucas opções na região de formação de servidores em programa de stricto sensu. Nós temos a necessidade de titular os servidores para que o IFRO possa qualificar as ações que estão em andamento e as ações de nível superior (graduação e pós-graduação lato sensu), além de se preparar para a oferta própria de stricto sensu. O afastamento é uma política necessária, pois temos poucos programas de pós-graduação stricto sensu na região Norte e em Rondônia menos ainda. Há necessidade dos servidores se afastarem, se possível de forma integral, para que consigam cursar o mestrado e o doutorado e retornem à instituição”, diz o professor Uberlando Leite.

Tendo passado por outros setores institucionais, inclusive pelo cargo de Pró-Reitor de Pesquisa, Uberlando Leite compreende que a dedicação exclusiva aos estudos passa a ser uma necessidade para professores e técnicos, especialmente em razão da pouca disponibilidade de programas de pós-graduação no Estado. “É uma política que tem um desafio significativo para a instituição, porque toda vez que afasta um servidor, normalmente para o docente tem o substituto, mas é alguém que vai mudar a metodologia, por exemplo, e que tem um impacto dentro da instituição. Para os técnicos, um pouco mais de desafio, porque não tem técnico substituto, havendo necessidade de cooperação entre os demais técnicos, para quando um sair, os demais assumirem aquelas ações que são desenvolvidas pelo colega que está se afastando”, avalia o Reitor. Dos mais de 200 servidores que estão cursando mestrado e doutorado neste ano, são 88 afastados integralmente.

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