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Jovens revelam sonhos para o futuro das mulheres

Publicado: Quinta, 08 de Março de 2018, 12h47 | Última atualização em Quinta, 08 de Março de 2018, 22h45 | Acessos: 1199

Daniela do Campus Colorado do Oeste

Para relembrar a importância do Dia Internacional da Mulher, que se celebra nesta quinta-feira, 8 de março, estudantes do IFRO (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Rondônia) relatam as suas aspirações para um futuro com grandes transformações sociais e correções dos equívocos do passado, no que se refere a mulher.

Com uma visão voltada para a necessidade de mudança de época, a estudante do Técnico em Edificações no Campus Vilhena, Maria Eduarda da Costa Amorim, de 16 anos, diz esperar mais valorização e respeito em relação às mulheres nos diversos espaços sociais. “Eu tenho medo de sair na rua. Eu tenho medo de me casar com uma pessoa que não me respeite, que não me ajude nos afazeres domésticos e na criação dos nossos filhos. Eu tenho medo do meu futuro, de ser discriminada no meu serviço, de ser assediada. E por que eu tenho medo dessas coisas? ‘Simples’, porque eu sou mulher”. E ela conclui seu pensamento: “Nós já conseguimos muitos direitos ao longo dos anos. Que nesse dia da mulher lembremos da força feminina e que somos capazes sim, de conseguir os direitos que por lei são nossos. E, apesar de todos os obstáculos, eu acredito em um futuro melhor. Por quê? Simples, porque eu sou mulher”.

As estudantes do Técnico em Biotecnologia do Campus Guajará-Mirim, Nathalle do Valle e Jamilly Brito, esperam contribuir para a quebra de tabus com a visão de que as mulheres podem chegar onde quiserem, basta estudar, pois competência elas possuem. “Eu pretendo fazer algo na política, não agora, mas as mulheres têm que acordar. É muito necessário que ocorra o empoderamento feminino. E eu pretendo me instruir quanto a isso, quanto às meninas aceitarem seus próprios corpos, sua feminilidade e melhorar a sociedade de modo geral. E vou buscar o meu melhor na área de ciências, na área de farmácia que é a carreira que pretendo seguir, e provar que as mulheres podem estar sim envolvidas em todos os meios acadêmicos”, afirma Nathalle.

Jamily pensa que é importante incentivar não somente as mulheres, mas também aos homens a voltarem a estudar, “principalmente com as mulheres se envolvendo mais no mercado de trabalho e nas ciências”. A ideia de ambas é criar um grupo no Campus Guajará-Mirim para debate de questões que envolvam a mulher.

Para a acadêmica de Arquitetura e Urbanismo do Campus Vilhena, Tainá Sousa Oliveira, “ainda é comum encontrarmos em inúmeras culturas, a intolerância e desigualdade entre homens e mulheres, a violência doméstica, o abuso de poder e inúmeros casos de feminicídio disfarçados pela dependência e, por vezes, submissão de uma mulher sem opções ou que cresceu em ambientes carentes de oportunidades. Como mulher e estudante, acredito na força feminina conquistando mais espaços nas universidades e instituições de ensino, sempre em busca de profissionalização, acarretando na expansão do mercado de trabalho e respectivamente na independência feminina não apenas financeira, mas social”.

“As mulheres não são mais capazes que os homens, mas estes não são mais capazes que as mulheres. Todos possuem a mesma capacidade e, juntos, podemos fazer um mundo muito melhor, com mais desenvolvimento, igualdade e paz”, faz a ressalva a estudante vilhenense Maria Eduarda sobre a luta feminina por respeito e oportunidades iguais.

 

Projeto

No Campus Porto Velho Calama foi instituído o Grupo Ada Code – Meninas Digitais de Rondônia, que “traz a reflexão de gênero na área da computação, quebrando o paradigma da predominação masculina. As atividades desenvolvidas ajudam as alunas a se encontrarem na área da computação, através de projetos de pesquisa, extensão e ensino, com o objetivo constante de incentivar a continuidade e êxito em nossa área”, afirma Heloisy Pimenta Queiroz, do Curso Técnico em Informática. Na diretoria ainda estão Danielly Farias, Isadora Cristina e Évelin Monteiro do técnico integrado ao Ensino Médio e a acadêmica de Análise e Desenvolvimento de Sistemas, Ádelle Camarão.

Daniela Aparecida da Silva se formou em Engenharia Agronômica no Campus Colorado do Oeste. A cerimônia ocorreu no último dia 1º de março, quando ela foi a oradora da turma. “Por muitos anos a mulher atuou discretamente no mercado de trabalho, às margens das atividades desenvolvidas por homens e tidas de caráter masculino. No que diz respeito ao agronegócio, sempre estivemos presentes no desenvolvimento rural, atuando nas diversas atividades do setor, entretanto, com pouquíssimo reconhecimento pela sociedade. Nota-se que hoje o setor agrícola apesar de ainda ser restritivo quanto ao gênero, vem acompanhando o desenvolvimento tecnológico e buscando cada vez mais força de trabalho especializada, e desta maneira, nós mulheres estamos conquistando a cada dia nosso espaço dentro deste ‘mundo masculino’, atuando de forma incisiva nas universidades ou como líderes de grandes grupos agrícolas”.

A agora egressa do IFRO afirma que ser mulher e ser agrônoma é um grande privilégio e motivo de orgulho, “sei que apesar das dificuldades diárias enfrentadas no mercado de trabalho, tenho muito com o que contribuir no desenvolvimento agrícola regional, e já estar atuando na área demonstra que nossas conquistas são reais. Existe ainda um longo caminho a ser trilhado, principalmente no que diz respeito à diferença de posições dentro das empresas e as remunerações salariais. Assim, torna-se cada vez mais importante estar preparada profissionalmente para disputar como igual no mercado de trabalho”.

 

Mulheres do campo

Agrícola por vocação, o Campus Cacoal oferece diferentes oportunidades para adolescentes e jovens que cresceram nas áreas rurais de Rondônia e buscam novos horizontes acadêmicos. É o caso, por exemplo, de Thainá Suzin e Bruna Moura, ambas estudantes do 3º período de Agronegócio no IFRO. A primeira reside na zona rural de Ministro Andreazza, município a cerca de 37 quilômetros de Cacoal, e conta que não pretende deixar a vida no campo depois de terminar os estudos. “Minha escolha pelo Agronegócio já foi orientada pelo fato de eu buscar algo que tenha ligação com a minha vida. A área rural precisa de gente capacitada e meu plano é continuar colaborando para que o trabalho do campo seja fortalecido”, explica Thainá.

A opinião é semelhante à de sua colega, que mora em uma das linhas rurais de Cacoal e enxerga muitas oportunidades nos negócios geridos em pequenas, médias e grandes propriedades do campo. “A busca pelo conhecimento, no meu caso, é justamente pensando nas chances de colaborar para acelerar os lucros e benefícios provenientes do agronegócio”, conta Bruna. Aos 18 anos, as alunas também compartilham algumas memórias da infância nos sítios e lamentam algumas transformações que ocorreram daquele tempo para os dias atuais.

“A tecnologia acabou gerando um distanciamento. Eu me lembro que quando era menor, havia muitas famílias, muita gente estava no campo e isso era muito bom, porque as pessoas sempre estavam juntas, partilhando os momentos. De lá para cá houve um movimento migratório muito grande e as relações já não são mais como eram”, lamenta Thainá.

Essa impressão e as lembranças da infância, a propósito, tem forte impacto sobre as expectativas que essas mulheres do campo têm para o futuro da sociedade. “Eu espero ser capaz de diminuir as impressões preconceituosas que as pessoas têm sobre quem é da zona rural. Esse conceito de que quem mora no sítio é analfabeto, ignorante ou que homem do campo é machista só por ser do campo, isso não existe. Há muitas pessoas que são da zona rural, tiveram poucas oportunidades de estudo, e são mais honradas e têm mais conhecimento do que alguns doutores”, defende Bruna.

“Eu concordo que esse preconceito precisa ser combatido, afinal de contas as pessoas da cidade que mantém esse tipo de opinião não se dão conta de que a maioria dos alimentos, o sustento da zona urbana depende em grande parte de quem trabalha no campo. Mas também penso que a vida da zona rural pode ensinar outro valor essencial e que gostaria de passar aos meus filhos: não é preciso ter muitas coisas para ir longe na vida. Vi o meu pai crescer na vida dando valor aquilo que realmente importa e espero repassar isso à geração que virá”, disse Thainá.

Estudante também de uma unidade agrícola do IFRO, Keila Aparecida Sobrinho, do Técnico em Agropecuária Integrado ao Ensino Médio do Campus Colorado do Oeste, diz que estudar no IFRO foi o início de uma grande oportunidade, em projetos de pesquisa ou de extensão. Ela faz parte de diferentes projetos no campus, como o de identificação de espécies de interesse apícola e o TMAT (Grupo de Pesquisas Tecnologias para o Manejo de Agroecossistema Tropical). Moradora do município de Corumbiara, a família trabalha com o cultivo de hortaliças, e Keila busca utilizar o conhecimento adquirido nas aulas, na área da família: “tenho a matéria aqui na escola, e todo o conhecimento que recebo eu absorvo o máximo que eu posso para utilizar no sítio”.

Segundo ela, “tudo que eu adquiro aqui como Técnica em Agropecuária quero colocar em prática. Estou fazendo de tudo para ser a próxima a estudar Engenharia Agronômica na faculdade de Costa Rica, a EARTH, e um apoio importante para eu poder alcançar esse objetivo é a oportunidade que o Instituto Federal oferece com projetos de pesquisa e tudo mais, porque isso é também um quantitativo de pontos muito bom para quem pretende estudar lá”. http://portal.ifro.edu.br/ultimas-noticias/3565-egressos-do-ifro-sao-referencia-na-costa-rica

“Gostaria de deixar para as alunas que quem tiver a oportunidade de cursar algum técnico aqui é muito bom, porque adquire conhecimentos novos, tem grande oportunidade de emprego, eu recomendo muito”, conclui a estudante de Colorado.

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